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Estado de Minas

Bolsonaro é alvo de representações


postado em 31/03/2011 08:25

A indignação da sociedade e dos parlamentares com as declarações racistas e homofóbicas do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) fez até o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), partir para o ataque. Depois de receber diversas representações e encaminhá-las à Corregedoria da Casa, o petista afirmou, pelo Twitter, que as ideias do colega representam uma herança do passado que ninguém permitirá a repetição. “Minha opinião: as declarações do deputado são lamentáveis quando lutamos pelo fim das desigualdades e da intolerância, qualquer que seja”, escreveu.

Maia engrossa um coro de reações de diversos setores da sociedade e dos próprios integrantes da Câmara, que pressionam pela abertura de um processo por quebra de decoro parlamentar. O corregedor Eduardo da Fonte (PP-PE) disse que vai analisar as declarações de Bolsonaro, mas já adiantou para alguns colegas que deve encaminhar o caso ao Conselho de Ética.

A Ordem dos Advogados do Brasil, pelo menos três partidos políticos e dois deputados entraram com representações contra Bolsonaro. “Não passarão mais em branco essas demonstrações racistas, homofóbicas e contra a democracia. Ele será alvo de representação não apenas minha, mas de inúmeros parlamentares. Esse deputado envergonha a imagem do parlamento”, criticou Brizola Neto (PDT-RJ).

Nem aí
Bolsonaro, no entanto, disse que está “se lixando” para as reações às suas ideias. Ontem, ao chegar para o velório do ex-vice-presidente José Alencar, afirmou não temer as representações contra ele e repetiu declarações homofóbicas. “O que esse pessoal (gays) tem a oferecer para a sociedade? Casamento gay? Adoção de filhos? Dizer para os jovens que, no dia em que tiverem um filho, se for gay, é legal e vai ser o ‘uhuhu’ da família? Esse pessoal não tem nada a oferecer”, disparou.

Mas as reações contra Bolsonaro não começaram por conta das declarações sobre homossexuais. Na segunda-feira, durante um programa na TV Bandeirantes, o deputado foi questionado pela cantora Preta Gil sobre como agiria se um filho se casasse com uma negra. O deputado, no auge das duas rotineiras declarações preconceituosas, respondeu: “Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco porque os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o seu”.

Para se defender, Bolsonaro diz agora que entendeu que a pergunta se referia ao casamento do filho com um gay, não com uma negra. A postura tem explicação. Crime de racismo tem punição prevista em lei. Homofobia, ainda não.

"Não passarão mais em branco essas demonstrações racistas, homofóbicas e contra a democracia. Esse deputado envergonha a imagem do parlamento”

Deputado Brizola Neto (PDT-RJ)

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