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Estado de Minas

Empresas em PE são beneficiadas por projetos do Ministério da Integração


postado em 06/01/2012 08:01 / atualizado em 06/01/2012 08:20

Empresas do ministro da Integração, Fernando Bezerra, e do irmão Caio Coelho são beneficiadas por projeto de irrigação da pasta. Do lado pernambucano do Perímetro Irrigado Senador Nilo Coelho, em Petrolina, a Manoa Empreendimentos e Serviços foi autorizada pela Resolução nº 567, de 2004, da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), empresa de economia mista ligada ao Ministério da Integração Nacional, a receber fornecimento de água, com vazão de 150 metros cúbicos, para irrigar 33,9 hectares.

À época, o irmão do ministro, Clementino Coelho, era diretor de engenharia da Codevasf, cuidando da área de Desenvolvimento Integrado e Infraestrutura e Empreendimentos de Irrigação. Atualmente, Clementino Coelho é o presidente da Codevasf. Dados da Junta Comercial de Pernambuco de ontem mostram que a Manoa apresenta registro ativo e está em nome do ministro e da mulher, Adriana de Souza Leão Coelho. A assessoria do ministério, no entanto, encaminhou ao Correio documento de venda da Manoa, datado de outubro de 2005.

Vista aérea de plantações às margens do São Francisco em Petrolina(foto: Alexandre Gondim/DP/D.A Press - 5/6/08)
Vista aérea de plantações às margens do São Francisco em Petrolina (foto: Alexandre Gondim/DP/D.A Press - 5/6/08)


Às margens do Rio São Francisco, Caio Coelho desponta como exportador de frutas, principalmente manga. O irmão do ministro representa a Umbuzeiro Produções Agrícolas, que fica em Casa Nova, lado baiano do projeto de irrigação Senador Nilo Coelho. Moradores de Petrolina ouvidos pelo Correio informaram que o lado baiano tornou-se mais cobiçado após o solo da área de irrigação de Petrolina ter se “esgotado”. A área é considerada um oásis e desperta interesses de investidores. Além da ligação familiar, Caio e Fernando Bezerra foram sócios em outra empresa, a Transvale, no distrito industrial de Petrolina.

A Codevasf, que teve orçamento de R$ 1,1 bilhão em 2011, é responsável por fornecer estrutura e assessoria técnica aos perímetros. De acordo com informações publicadas no portal da companhia, existem no país 23 perímetros irrigados em produção, no país, desses, dois deles estão em Pernambuco, o distrito de Senador Nilo Coelho e Bebedouro. Em 2011, o Ministério da Integração e a Codevasf anunciaram pacote de investimentos para o Distrito de Irrigação do Perímetro Senador Nilo Coelho. Foi indicada meta de aplicação de R$ 64 milhões no perímetro até 2014, com investimento inicial de R$ 10 milhões, já reservado em abertura de licitações iniciadas no ano passado. O sistema de bombeamento das águas do Rio São Francisco que irrigam os lotes também será renovado.

Partilha
Em resposta ao Correio, a assessoria do ministério divulgou nota afirmando que “o ministro não detém nenhum vínculo societário com o irmão Caio Coelho, e com as empresas correlatas, Transvale e UPA Umbuzeiro, desde a partilha dos bens da família em 1990, também devidamente registrados na Junta Comercial.” O ministério também informa que as áreas irrigadas em que o irmão do ministro tem propriedade foram “adquiridas em 18 de maio de 1984, por seu pai, há mais de 25 anos por meio de Cessão Onerosa de Uso”.

Sobre o exercício da presidência da Codevasf por Clementino Coelho, a assessoria do ministro afirma que o irmão de Fernando Bezerra ocupa a função “tão somente por força do estatuto”, pois em 3 de janeiro de 2011 colocou seu cargo à disposição, por meio de pedido encaminhado à pasta, e a empresa aguarda nomeação do presidente efetivo. “Não houve indicação de Clementino Coelho para presidência da Codevasf pelo ministro Fernando Bezerra Coelho. O Estatuto Social da Codevasf, que é fruto do Decreto Federal nº 3.604 (de 20/12/2000), determina que o diretor mais antigo na função assuma interinamente a presidência em caso de vacância.” Ainda de acordo com a assessoria, “não incorre em nepotismo a pessoa lotada em cargo inferior no mesmo órgão ou entidade que já exercia antes do início do vínculo familiar com o agente público”.

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