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Estado de Minas

Rotina de Demóstenes se resume à despiste, discrição e isolamento


postado em 20/05/2012 09:36 / atualizado em 20/05/2012 09:53

(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
Nos últimos 50 dias, o clima no plenário do Senado se divide em dois momentos: quando Demóstenes Torres (sem partido-GO) está presente e quando não comparece. Em 30 de março, a imprensa publicava um diálogo gravado pela Polícia Federal entre o senador e o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em que o parlamentar demonstrava ter intimidade com o bicheiro, chamado de “professor”. Demóstenes informava o amigo da tramitação de um projeto de lei na Câmara que tratava da criminalização da exploração de jogos de azar, fonte de riqueza de Cachoeira. O episódio foi o ponto de partida para as dezenas de denúncias que transformaram um senador atuante e contundente num parlamentar fantasma, que não legisla, não discursa e, quando aparece, permanece estático na mesma posição: de costas para as câmeras e isolado dos colegas.

Quase diariamente, o itinerário é o mesmo: ele chega pela portaria principal do Senado, normalmente no início da manhã, e sobe pelo elevador privativo de parlamentares ao café perto do plenário, ainda vazio. Entra, marca a presença — pré-requisito para não ter o salário descontado — e some. Enfurna-se no gabinete ou vai embora para seu apartamento funcional, sem participar das discussões em pauta na Casa. Quase nunca está nas sessões deliberativas. Se interpelado pela imprensa, repete seu mantra quantas vezes for necessário: “Só me pronunciarei no Conselho de Ética”.

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