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Estado de Minas

Aécio Neves ataca critérios de ex-presidente Lula para cargos no STF

Líder tucano diz que entrevista ao Correio põe em dúvida a qualidade das nomeações do ex-presidente


postado em 01/10/2013 06:01 / atualizado em 01/10/2013 08:41

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Aécio: "Se Lula se arrepende da escolha de ministros do STF, imagine em relação a agências reguladoras e bancos" (foto: George Gianni / PSDB)


Um dos prováveis adversários de Dilma Rousseff na corrida ao Palácio do Planalto, em 2014, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse ontem estar surpreso com a afirmação feita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista ao Correio de domingo, de que teria mais critérios para indicar os ministros do Supremo Tribunal Federal caso tivesse as informações que têm hoje sobre os postulantes ao cargo. “Algo surpreendente porque esse é um pressuposto de todos nós de que o presidente da República escolhe com absoluto critério os seus ministros do Supremo, das altas Cortes e, até mesmo, do Poder Executivo.”

Após ler a entrevista do presidente, Aécio passou a imaginar outros possíveis erros cometidos pelo PT no preenchimento dos cargos públicos. “Se ele (Lula) se arrepende da escolha de ministros do Supremo Tribunal Federal — não sei avaliar por qual razão —, imagine em relação a outras áreas do governo, como diretores de agências reguladoras e dirigentes de bancos”, provocou Aécio, que participou ontem de um seminário promovido pela revista Exame.

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--> O presidenciável tucano também afirmou que, se for eleito presidente no ano que vem, reduzirá o número de ministérios pela metade. “Num eventual governo do PSDB, e falo em tese, obviamente, trocaria metade dos ministérios — deixaria com 20, 21— por uma secretaria de desburocratização, que simplifique o setor de negócios e estimule os que querem empreender mais.”

Desburocratização
No seminário, ele acusou o governo Dilma de interromper o ciclo de reformas econômicas aberto pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, travando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. “Temos agora de priorizar algumas ações. Certamente, entre elas, a desburocratização do nosso sistema tributário, a simplificação desse sistema, a melhoria do ambiente de negócios que, infelizmente, não existe hoje no Brasil.”

Também convidada para o evento, a ex-senadora Marina Silva — que vive uma semana decisiva para a criação do partido dela, a Rede Sustentabilidade — afirmou que eventos como os de ontem são importantes para fomentar o debate, já que, segundo ela, “o país não precisa de um amontoado de propostas”. “Estamos precisando de um novo acordo político, que não seja nas bases da situação pela situação e da oposição pela oposição”, sugeriu.

Último dos presidenciáveis a falar no evento, o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, declarou que o partido não se arrependeu dos 10 anos em que conviveu com o PT no governo federal. Mas está convencido de que chegou a hora de desembarcar do Executivo. “Não nos arrependemos de participar, mas queremos levar nossas ideias, críticas e considerações para construir um novo governo", disse ele a uma plateia repleta de empresários.

Segundo Campos, esse novo governo deve ter o compromisso de preservar o que já foi conquistado e evitar debates maniqueístas. “Em 2010, o debate foi pobre e, agora, estamos sentindo falta das ideias. É preciso fazer esse debate. O Brasil espera das lideranças políticas, empresariais e da academia que construam consensos sobre o que é importante para o país”, concluiu Campos.

Crítica à “intromissão”
Após participar de um fórum de economia, em São Paulo, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, criticou a intromissão política em assuntos da Corte e na carreira dos juízes. Ele disse que a ação é danosa e que, por isso, muitos magistrados não decidem. A consideração remete à opinião do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista concedida ao Correio. Quando questionado se havia relação entre a resposta e as considerações do ex-presidente, Barbosa se esquivou. “Não tenho nada a dizer. Ele foi presidente da República, eu não sou presidente da República. Não tenho nenhum papel na nomeação de ministros para o Supremo e nunca procurei exercer influência sobre esse papel”, limitou-se a dizer.

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