Publicidade

Estado de Minas

Partidos envolvidos no Lava-Jato vão comandar metade dos ministérios

Especialistas avaliam que o Planalto é refém da base aliada no presidencialismo de coalizão


postado em 03/01/2015 07:05

Paulo Roberto Costa, o homem-bomba da Operação Lava-Jato: pagamento de propina para o PP, o PT e o PMDB citado em depoimento(foto: Laycer Tomaz/Câmara dos Deputados)
Paulo Roberto Costa, o homem-bomba da Operação Lava-Jato: pagamento de propina para o PP, o PT e o PMDB citado em depoimento (foto: Laycer Tomaz/Câmara dos Deputados)


Os três principais partidos políticos envolvidos no sistema de financiamento de campanha eleitoral com recursos do esquema de corrupção desviados da Petrobras permanecem com espaço generoso na Esplanada na segunda gestão da presidente Dilma Rousseff (PT). No discurso de posse, a petista assegurou que uma das marcas do novo governo será o combate sistemático à corrupção. No comando de 19 ministérios, o PT, o PMDB e o PP, legendas citadas pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa como beneficiárias do propinoduto, durante a campanha de 2010, vão gerir um orçamento anual de R$ 265 bilhões, de acordo com dados do governo analisados pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).

O valor desconsidera os recursos do Ministério da Previdência, utilizados para pagar aposentadorias. Isso significa 54% de todo o Orçamento da Esplanada. Integrantes de partidos de oposição, a exemplo do PSDB e do PSB, também foram citados. O PP continua com apenas um ministério, mas teve o orçamento reduzido de R$ 18,5 bilhões para R$ 7,5 bilhões. “Foi um recado sutil”, avalia o cientista político David Fleischer, para quem Dilma tem sua parcela de culpa no problema da Petrobras, mas não teria como deixar de nomear colaboradores ligados ao PT, seu partido, e ao PMDB, principal aliado num presidencialismo de coalizão. Outro professor da Universidade de Brasília, João Paulo Peixoto, entende que a presidente é “refém” de um sistema que a obriga a admitir certos ministros.

Na manhã de ontem, durante cerimônia de transmissão de posse, o novo ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, considerado um quadro técnico, mas ligado ao PP, tentou se distanciar dos problemas enfrentados pela sigla. “Temos de separar o que é a questão da Petrobras com os partidos e as indicações da presidente”, ressaltou ele. “Ela faz uma escolha pessoal e de confiança. O nome que ela indicou para o Ministério da Integração é de confiança dela. Não apenas uma indicação do partido. É claro que o partido levou o meu nome, porém, essas denúncias e essas delações estão sob segredo de Justiça.”

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade