Jornal Correio Braziliense

Politica

Governadores articulam no Congresso para abocanhar uma fatia do CPMF

Eles se reúnem na manhã de hoje na Câmara dos Deputados

Dois dias depois de uma reunião com a presidente Dilma Rousseff, governadores marcaram novo encontro para discutir a volta da CPMF, apresentada pelo governo na última segunda-feira. Eles se reúnem na manhã de hoje na Câmara dos Deputados. O objetivo deles é abocanhar uma parte da contribuição para, então, apoiar a aprovação da medida no Congresso. Parlamentares da base aliada também se reunirão nesta quarta-feira para levantar uma nova proposta ao imposto a ser levada para a presidente amanhã.

A proposta apresentada pela equipe econômica é de uma alíquota de 0,2% exclusiva para a União e voltada para o custeio da Previdência. Diante da negativa dos chefes dos Executivos dos estados, o Planalto sugeriu a eles que negociassem com o Congresso para subir a contribuição para até 0,38%, o que aumentaria a arrecadação de R$ 32 bilhões para R$ 60,8 bilhões. Com o aumento da fração, fica mais fácil dividir o tributo, cobrado a cada transação financeira, com municípios e estados. O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, tem encontro marcado com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, antes do encontro na Câmara.

[SAIBAMAIS]Ontem, após sair de reunião de líderes do Senado com a presidente no Palácio do Planalto, o líder do PT, Humberto Costa (PE), disse que o aumento da alíquota não foi tratado na reunião. ;Precisaria de um esforço muito grande. Quando o governo está bem com a base social forte e uma base parlamentar forte é difícil aprovar uma medida como essa, imagina num momento como esse que nós estamos passando por algumas dificuldades;, comentou. Ele afirmou que pensa o mesmo com a aprovação da alíquota em 0,2%. Segundo ele, só foi passada a eles a informação de que os governadores disseram, na reunião com Dilma, que dificilmente aprovaria a CPMF se não houvesse contribuição com eles.

A presidente jantou com 19 governadores na noite de segunda-feira, horas depois do anúncio das medidas de ajuste do governo. As propostas do Planalto incluem um corte de gastos de R$ 26 bilhões, que incluem suspensão de concursos públicos, adiamento do reajuste salarial de servidores, redução de gastos com saúde e com o Minha Casa Minha Vida, entre demais ações. Em outra frente, propuseram aumento de receita com a recriação da CPMF, chamada ontem pela presidente Dilma de ;CP- Prev;, e redução temporária do IOF.



Esforço fiscal
O esforço é feito para tentar suprir o deficit de R$ 30,5 bilhões previsto no Orçamento enviado ao Congresso e atingir o superavit primário de 0,7% do PIB, de R$ 43,8 bilhões. Desse valor, 0,55% (R$ 34,4 bilhões) será um esforço fiscal da União e o restante de estados e municípios.

O líder do PR na Câmara, Maurício Quintela Lessa (AL), confirmou que é muito difícil a aprovação do novo imposto. ;Minha bancada não vai votar isso. Por isso, vamos nos reunir, ao longo do dia de hoje, para apresentar uma proposta alternativa, que significa aumento nos cortes do governo e diminuição na pressão pela criação de novos tributos;, disse Lessa ao Correio.