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Pedido de impeachment: governo e oposição disputam votos de indecisos

Para definir qualquer futuro cenário no plenário da Câmara, são necessários dois terços dos votos, que equivale a 342

postado em 05/04/2016 14:33

Enquanto a base governista evita cravar números apesar de assegurar que tem votos suficientes para afastar um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a oposição continua contabilizando possíveis resultados. Hoje (5/4), segundo parlamentares pró impeachment, mais de 352 votos são favoráveis ao impedimento da petista.

Para definir qualquer futuro cenário no plenário da Câmara, são necessários dois terços dos votos (342). ;Queremos ter uma margem boa para a votação. Tem muito deputado sob pressão do governo, cerca de 30 ainda estão indecisos;, disse o líder do Solidariedade, Genecias Noronha (CE). A estratégia da oposição ao Planalto é justamente convencer os indecisos.

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Presidente do Solidariedade, o deputado Paulinho da Força (SP) anunciou inclusive que na próxima quinta-feira (7) divulgará o ranking de parlamentares favoráveis, contrários e indecisos. ;Estamos na reta final e é preciso que população saiba como seu deputado está votando. Estamos fazendo mapeamento de um por um e vamos colocar carro de som onde eles tem voto;, disse.

Paulinho criticou a ocupação de cargos do Executivo neste período e acusou o governo de oferecer pagamento a parlamentares que se declararam favoráveis ao impedimento de Dilma para que não compareçam na sessão de votação. ;Os parlamentares que estão no troca-troca têm que saber que o governo oferece mas não cumpre. Pagar R$ 400 mil para um deputado ficar em casa e não vir votar? Ontem eles ofereceram R$ 2 milhões;, afirmou. O parlamentar garante que tem os nomes de quem recebeu a oferta, mas assessores de Paulinho afirmaram que estes nomes só serão revelados quando avaliarem a ;melhor forma de denunciar esta extorsão;.

Andamento

À Agência Brasil, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse que não rebateria ;essa baixaria;. Com a voz nitidamente irritada diante da acusação, Guimarães classificou a denúncia como um ato de desespero. ;Isto é desespero. Se tem um governo republicano é o da presidente Dilma. Eles estão desesperados para aprovar o golpe;, sintetizou.

O pedido de impeachment ainda está em análise na comissão especial criada para analisar o processo. A expectativa é que o relator do processo, Jovair Arantes (PTB-GO), apresente seu parecer amanhã (6). Com o texto em mãos, o colegiado espera que a base aliada peça vistas para analisar o documento no prazo de duas sessões e retome o debate na próxima sexta-feira (8) para que o parecer seja votado até a próxima segunda-feira (11) e encaminhado para o plenário da Casa.

Hoje, um dia depois da entrega da defesa de Dilma pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que negou que haja crime de responsabilidade e fundamento jurídico para o impeachment, o deputado Danilo Forte entregou ao relator do processo documentos que, segundo ele, comprovam ;pedaladas fiscais;. Entre os documentos estão ofícios assinados pelo então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e pelo secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, ;que reconhecem a realização da operação sem a devida aprovação por parte do Congresso;, afirmou.

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