Jornal Correio Braziliense

Politica

Guerra no plenário será intensa: governo e oposição já montam estratégias

Comissão especial aprova por 38 votos a 27 o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff por crime de responsabilidade fiscal

O placar final da comissão especial do impeachment ; 38 votos favoráveis e 27 contrários ao afastamento da presidente ; manteve em aberto a votação decisiva do próximo domingo, no plenário da Câmara. Aliados do Planalto calculam que, a fim de obter os 342 votos necessários para afastar a presidente Dilma Rousseff, a oposição teria de ter obtido, ontem, ao menos, 43 votos, para que a proporção se repita no fim de semana. Já os oposicionistas apostam em um plenário mais heterogêneo que a comissão montada, segundo eles, ;para que o governo não perdesse a primeira batalha do impeachment;.



QG em hotel
O resultado aumenta ainda mais a pressão nos três dias que antecedem o início dos debates do impeachment, previstos para começar na próxima sexta-feira (leia mais na página 4). O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva montou um quartel-general no Hotel Royal Tulip e, quando não está participando de atos públicos como os realizados na noite de ontem, no Rio, se entrincheira para conversas individuais com parlamentares de diversas legendas na expectativa de garantir o mínimo de 171 votos favoráveis a Dilma.

Já a oposição seguirá pressionando os indecisos. Mas o vazamento de um áudio ontem (leia mais na página 5) na qual o vice-presidente já discursou como se o impeachment tivesse sido aprovado pode embolar os planos. ;Vamos evitar usar o WhatsApp para divulgar nossa estratégia;, ironizou um aliado do vice-presidente.

Além da batalha pelos votos em plenário, ainda paira no ar o risco da judicialização, já que o advogado-geral da União, ministro José Eduardo Cardozo, apontou uma série de irregularidades que teriam sido cometidas ao longo do processo de impeachment. O presidente da comissão especial, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), defendeu o trabalho do colegiado. ;Diferentemente de 1992 (impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello), em que a comissão se reuniu apenas nove horas e não promoveu debates e esclarecimentos, fizemos mais de 50 horas de reuniões e debates, dando oportunidade de ampla defesa à presidente;, afirmou.

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