"As nomeações reforçaram as suspeitas de que o afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff no mês passado, por acusações de maquiar ilegalmente as contas do governo, teve uma segunda intenção: fazer as investigações (sobre corrupção) sumirem", afirma o jornal.
[SAIBAMAIS]Os recentes acontecimentos, destaca a publicação, forçaram Temer a repetir várias vezes nos últimos dias que não atrapalharia as investigações da Lava-Jato, que "chacoalharam" a política do Brasil. "Considerando as pessoas que Temer se cercou, a promessa parece vazia", diz o texto.
Por isso, se o peemedebista pretende ganhar a confiança dos brasileiros, incluindo parte da população que vê sua chegada no poder como um golpe, precisa tomar "medidas concretas".
Uma destas medidas é acabar com a imunidade parlamentar para políticos envolvidos com corrupção. "Esta proteção injustificável claramente permitiu uma cultura de corrupção e impunidade institucionalizada", ressalta o editorial, destacando que, no Brasil, os políticos, incluindo os parlamentares e o alto escalão do governo, contam com o foro privilegiado e por isso não podem ser investigados pela Justiça comum.
O texto cita ainda declarações recentes do juiz Sergio Moro, que comanda a Operação Lava-Jato, nas quais pede punição a crimes cometidos por políticos. "Os esquemas de corrupção sistêmica são danosos porque têm impacto na confiança nas leis e na democracia", afirmou o juiz em trecho citado no editorial.