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Correio Braziliense

PT perde discurso de defensor da parcela mais carente da população

Derrota nas eleições municipais e perda do poder federal após a queda de Dilma faz com que eleitorado mais carente busque opções: Doria e ACM Neto foram os escolhidos desse público em São Paulo e Salvador


postado em 10/10/2016 05:20 / atualizado em 10/10/2016 05:34

Campanha focada na meritocracia de João Doria seduziu periferia paulistana, tradicional reduto petista(foto: Facebook/Reprodução)
Campanha focada na meritocracia de João Doria seduziu periferia paulistana, tradicional reduto petista (foto: Facebook/Reprodução)
 

 

O PT bradou, orgulhoso, ao longo dos últimos 13 anos, ser o partido que melhor entende a população mais carente. A legenda ampliou o Bolsa Família, criou as políticas afirmativas de cotas, promoveu 40 milhões das classes D e E à classe C, a chamada nova classe média. Mas, agora, após o resultado das eleições municipais, ligou o alerta de que essa parcela do eleitorado está escapando das mãos petistas. Em São Paulo, a periferia foi com o tucano João Doria. Em Salvador, o queridinho é o prefeito reeleito ACM Neto, vitorioso com mais de 70% dos votos válidos. “As populações mais carentes não são vinculadas a partidos, são vinculadas a pessoas”, confirmou o gerente de pesquisa do Data Popular, Mitsu Shida.

O Instituto, especializado em pesquisa e conhecimento sobre o consumo popular no Brasil, avalia que as classes D, E e os recém- ingressos na classe C atribuem os avanços conquistados primeiramente a Deus e, depois, ao esforço próprio. O governo tem cada vez menos participação nisso. “Por isso eles apoiaram Doria em São Paulo. Ele encarnou a meritocracia de quem venceu por si só”, completou Shida.

A situação tende a se agravar mais ainda, já que o PT perdeu o comando do governo federal, minguou nas prefeituras — até mesmo no Nordeste, bastião eleitoral do partido, os resultados ficaram aquém do esperado — e tende a ter um desempenho sofrível também na disputa pelos governos estaduais e ao Planalto em 2018. Na prática, o partido vai perder a narrativa para os novos integrantes do núcleo de poder. Não por acaso, o governo de Michel Temer.

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“Se formos lembrar, o PT, em suas origens, não era um partido dos grotões. Era um partido da classe média e dos intelectuais. Nós chegamos a esse público após a vitória de Lula em 2002”, recordou o líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA). Florence ainda pontuou o que ele considera uma diferença entre o discurso voltado para os mais carentes do Nordeste e os moradores da periferia paulistana, por exemplo. “As classes D e E de São Paulo são composta por metalúrgicos, por exemplo, que têm emprego, um carrinho e querem subir na vida. No Nordeste, essa faixa é mais carente, que depende muito mais da presença do estado”, completou o líder baiano.

Essa revisão interna no discurso começou ainda em 2013, quando a população foi às ruas pedir melhorias nos serviços públicos — e excluiu o PT dos protestos. Lula também alertara que a população que chegará aos 18 anos em 2018 — apta, portanto, a votar — tinha 5, 6 anos quando o PT assumiu pela primeira vez o Planalto. “Esse pessoal cresceu incluído, com comida e escola. Não dá para a gente continuar repetindo essa história”, disse o ex-presidente, em um encontro com senadores do partido em 2015. O problema é que o PT se perdeu com a Lava-Jato e com o impeachment da presidente Dilma Rousseff e não conseguiu construir uma nova narrativa.

 

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