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Correio Braziliense

Temer faz balanço do governo e pede pensamento positivo para 2017

Em balanço sobre os seis meses à frente do governo, o presidente Michel Temer evitou polêmicas e disse que 2017 será o momento da virada econômica. Questionado sobre uma possível reforma ministerial, a sugestão foi esperar


postado em 30/12/2016 06:05

(foto: AFP / ANDRESSA ANHOLETE )
(foto: AFP / ANDRESSA ANHOLETE )


No dia em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística anunciou que o país tem 12,1 milhões de desempregados e fechou 853 mil postos de trabalho no ano,  o presidente Michel Temer fez um balanço positivo dos primeiros meses do mandato e prometeu que 2017 será o ano da virada em relação à crise econômica. “Quero que vocês (dirigindo-se aos jornalistas) mentalizem positivamente que teremos, sim, um novo ano, e não uma prorrogação de 2016”, afirmou o presidente. E, antes de sair de recesso, ele ainda assinou o decreto que determina o reajuste do salário mínimo a partir da virada do ano (leia mais na página 8).

O governo comemorou o resultado de ontem apontando a retomada dos investimentos na Bolsa de Valores e a queda de 17,84% na cotação do dólar como provas de que as medidas adotadas até o momento estão no rumo certo. Temer citou prognósticos levados a ele pela equipe econômica de que, a partir do segundo semestre do ano que vem, o país já terá vencido a página da recessão. “Vencida a recessão, teremos superado a crise e retomaremos os níveis de empregabilidade”, prometeu. No pronunciamento de aproximadamente 25 minutos, o presidente não fez nenhuma menção à crise política derivada das colaborações premiadas da Operação Lava-Jato ou à necessidade de substituir seis ministros em seis meses de governo.

Optou por ressaltar as propostas encaminhadas ao Congresso, incluindo as reformas da Previdência e as mudanças na legislação trabalhista. “Há de ser um governo reformista”, destacou. Temer lembrou que, pouco tempo depois de ser encaminhada ao Legislativo, a PEC da Reforma da Previdência conseguiu a admissibilidade na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara (CCJC). O peemedebista acrescentou que pretende, no próximo ano, propor uma simplificação da legislação tributária brasileira e apoiar as propostas de reforma política debatidas pelos parlamentares.

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Ele garantiu que o veto à parte do projeto de recuperação fiscal aprovado pelo Congresso — que gerou uma queda de braço entre o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), — não significa que o governo federal está abandonando as unidades da Federação. Pressionado pelo titular da Fazenda e pelo mercado, Temer vetou a ausência de contrapartidas para que os estados recebam a ajuda financeira do Tesouro Nacional. “Esse é um dinheiro emergencial. Sem contrapartidas, como vamos preparar o futuro?”, questionou.

O Correio apurou que um dos argumentos da equipe econômica era de que a permanência do texto da forma como foi aprovada pela Câmara seria um sinal de leniência com a farra fiscal que levou os estados à bancarrota. Tanto que Maia passou a ser cobrado intensamente pelos agentes econômicos. “Rodrigo é do Rio e trabalhou no mercado financeiro. Ele pode até dizer que apenas deu vazão ao desejo da maioria da Casa. Mas sabe que o projeto como foi aprovado agrava o desequilíbrio”, disse um investidor.

O jurista Yves Gandra Martins concordou com a decisão de Temer em vetar parte do projeto aprovado pela Câmara. “Em situação de penúria, continuar com a leviandade administrativa anterior é maluquice”. O presidente prometeu chamar cada um dos governadores ao longo de 2017 para saber a situação específica de cada um e buscar caminhos para resolver o problema dentro do que for melhor para a sociedade. “O presidente Temer está no caminho certo de enfrentar com coragem temas difíceis, porém, fundamentais para a retomada do crescimento econômico do país”, destacou o líder do PSD e candidato do partido à presidência da Câmara, Rogério Rosso (DF).

Bastante criticado pelos militantes de esquerda e movimentos sociais pela implantação de uma agenda econômica dura, com a aprovação de um teto de gastos públicos por um período de 20 anos, Temer citou que a gestão não tem apenas responsabilidade fiscal, mas também responsabilidade social. “Reajustamos o valor do Bolsa-Família, entregamos 170 mil unidades do Minha Casa Minha Vida e contratamos outras 500 mil para 2017, além de criarmos 70 mil novas vagas no Fies ao longo destes sete meses de governo”, elencou.

Troca de comando
Pressionado a afirmar se fará uma reforma ministerial ao longo dos próximos meses, Temer sugeriu que se espere “até o ano que vem”. Ele ainda não conseguiu nomear o substituto do ex-secretário de governo Geddel Vieira Lima. O nome pretendido é do atual líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), mas a ideia foi alvejada pelo Centrão, grupo de partidos que têm Rosso e o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), como pré-candidatos à presidência da Casa.

A preferência por Imbassahy seria uma maneira de agradar o PSDB, legenda que vem se colocando como fiadora do governo diante dos agentes econômicos. Especulam-se também os nomes do senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE) e da secretária de Fazenda de Goiás, Ana Carla Abrão, para o Ministério do Planejamento, e do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) para a Casa Civil, caso o atual ministro, Eliseu Padilha, se enfraqueça por conta da Lava-Jato.

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