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Correio Braziliense

Lasier Martins está proibido de se aproximar ou fazer contato com a mulher

O senador garante que a própria esposa se feriu para forjar a situação, chamou-a de "louca e chantagista" e disse que o episódio aconteceu porque eles estão em processo de separação


postado em 02/04/2017 15:28 / atualizado em 02/04/2017 15:33

A jornalista prestou queixa na Delegacia da Mulher, afirmando que era xingada, agredida e humilhada(foto: Facebook/Reprodução)
A jornalista prestou queixa na Delegacia da Mulher, afirmando que era xingada, agredida e humilhada (foto: Facebook/Reprodução)

O senador Lasier Martins (PSD-RS) terá que se mudar de casa e está proibido de se aproximar ou fazer contato com a esposa, a jornalista Janice dos Santos, que o acusou de violência doméstica, até o fim das investigações. A determinação é do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin. O ministro também exige que ele mantenha distância dos familiares dela. Conforme o Correio revelou na edição da última quinta-feira, Janice prestou queixa à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) na última terça-feira e afirmou ter sido agredida pelo marido. Ela fez exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e disse, ainda, que era xingada, humilhada e sofria agressões dele de maneira recorrente.

Como ele tem foro privilegiado, o caso, agora, segue para a Procuradoria-Geral da República, que analisará se abre um inquérito contra o senador. Nesta semana, a líder do PT no Senado Federal, Gleisi Hoffmann (PT-PR), também pediu à Procuradoria da Mulher do Legislativo, por meio de um requerimento oficial, que o órgão “tome providências sobre a investigação contra Lasier”.

O senador garante que a própria esposa se feriu para forjar a situação,  chamou-a de “louca e chantagista” e disse que o episódio aconteceu porque eles estão em processo de separação. A jornalista, no entanto, afirmou que eles ainda não deram início ao processo de divórcio e contestou o senador em relação à versão dele sobre a participação da doméstica da casa deles no caso. Enquanto Lasier diz que a empregada foi levada junto à Deam e se recusou a falar sobre o caso à polícia, porque estaria mentindo, Janice garante que a funcionária confirmou o ocorrido.

Segundo a jornalista, as agressões vinham de um tempo em que ele a traía com frequência. Tempos atrás, ela fez uma cirurgia na barriga e, dias depois, ele teria dado um chute no local operado. Ela conta que resolveu denunciar o marido após a última briga, quando houve uma discussão após ela descobrir “uma nova traição”. Ele teria chutado as pernas dela e pressionado a mão dela contra um porta-joias que a mulher segurava durante a briga, o que teria causado lesões aparentes.

Tudo isso no apartamento em que moram, na 309 Sul, e na frente da filha da mulher, de 10 anos. Os xingamentos também eram comuns. Ele a teria chamado de “miserável, fracassada, interiorana, burra, aproveitadora, chantagista, louca, paranoica, mulher cheia de doenças” além de dizer que ela “não entendia nada de política, só de moda”.

Gleisi Hoffmann disse que não quer “antecipar atribuição de culpa”, mas classificou a denúncia como “muito grave”. “É um fato relevante para nós que militamos no enfrentamento à violência contra a mulher. Não podemos deixar isso sem esclarecimento. A medida do ministro Fachin é muito importante porque protege a vítima. Por isso pedi à procuradoria da Casa que acompanhe as investigações”, diz.

Lasier e Janice são casados há quase cinco anos e se conheceram na empresa em que trabalhavam, a filial da Rede Globo no Rio Grande do Sul. Lasier nunca havia disputado um cargo eletivo até 2014, quando decidiu candidatar-se.  Ele é muito conhecido na sociedade gaúcha, porque era um dos principais comunicadores da maior emissora de TV da região e venceu o ex-governador Olívio Dutra (PT) em um pleito acirrado.

O gabinete do senador emitiu uma nota, na sexta-feira, afirmando que Lasier é inocente. “Não houve a alegada agressão física, mas ações e manobras da mulher no sentido de tirar proveito em tentativa de acordo no processo judicial. O Correio não conseguiu um novo contato com o senador ontem.

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