"Presidente, o senhor é um homem muito certinho. O senhor tem algum hobby? O senhor joga bola, o senhor vai em festa junina? O senhor cozinha? O que o senhor faz?", perguntou a ele o apresentador Ratinho, do SBT, no programa que foi ao ar na última sexta-feira. "Você sabe que eu cozinho, viu?", respondeu Temer. "Você sabe que, de vez em quando, um ovo mexido, por exemplo, eu faço com uma tranquilidade. Mas (sobre) hobby, você sabe que eu gosto muito de cinema, viu? E gosto de televisão."
O dono do SBT, Silvio Santos, também convidou Temer para participar de seu programa. Os dois jantaram no último dia 20, em São Paulo, após encontro acertado por Ratinho, durante uma sessão de corte de cabelo no salão do Jassa. A partir daí, o SBT passou a exibir pequenas inserções em defesa da reforma da Previdência, nos intervalos comerciais.
Rádios
No mês passado, o presidente também deu outras entrevistas para programas populares, como o comandado por José Luiz Datena, da rádio Bandnews. Tanto Ratinho como Datena têm grande penetração nas classes C, D e E.
Assessores de Temer querem agora que ele fale ao menos uma vez por semana com rádios regionais de audiência, principalmente no Nordeste, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é muito popular. "O governo tem de anunciar nessas rádios, aparecer nos rincões", disse o deputado Beto Mansur (PRB-SP), um dos vice-líderes do Planalto na Câmara.
Diante das dificuldades enfrentadas por Temer, toda a estratégia foi montada não apenas para explicar as reformas de forma didática como para mostrar trabalho, rebatendo rumores de que o governo está acuado pela Lava Jato. As investigações atingem oito ministros, sendo dois deles - Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) - considerados homens fortes do presidente.
As três agências de publicidade que venceram a licitação aberta em janeiro para cuidar da Presidência da República (NBS/PPR, Young e DPZ) terão como tarefa "polir" a imagem de um governo alvejado pela Lava Jato. O contrato anual para prestar serviço à Secretaria de Comunicação Social (Secom), na gestão Temer, é de R$ 208 milhões e, pelas regras da licitação, pode ser renovado por até cinco anos.