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'Falta qualidade intelectual e moral a Aécio', diz tio do tucano

Ao telefone, ele repetiu o desabafo e, com voz embargada, disse que a família está chocada com a forma com que Aécio referia-se ao primo nas gravações

O desembargador aposentado Lauro Pacheco de Medeiros Filho, pai de Frederico Pacheco de Medeiros, o Fred, primo do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), afirmou que "falta qualidade moral e intelectual" ao tucano. Fred foi preso na Operação Patmos, na quinta-feira passada (18/5), após ser filmado buscando uma mala com R$ 500 mil - o dinheiro seria propina da JBS, supostamente a pedido de Aécio.

Nesta segunda-feira (22/5), o pai de Fred usou a internet para atacar Aécio. "Aécio: meu filho Frederico Pacheco de Medeiros está preso por causa de sua lealdade a você, seu primo. Ele tem um ótimo caráter, ao contrário de você, que acaba de demonstrar não ter, usando uma expressão de seu avô Tancredo Neves, ;um mínimo de cerimônia com os escrúpulos;."

Medeiros escreveu, ainda. "Falta-lhe, Aécio, qualidade moral e intelectual para o exercício do cargo que disputou de presidente da República. Para o bem do Brasil, sua carreira política está encerrada."

Ao telefone, ele repetiu o desabafo e, com voz embargada, disse que a família está chocada com a forma com que Aécio referia-se ao primo nas gravações.

O trecho sobre quem seria o responsável para retirar o dinheiro da propina da JBS foi o que mais "incomodou" Medeiros e a família. "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação (...) Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara", disse Aécio na conversa com Joesley Batista, dono da JBS.

Segundo a investigação, a propina acertada entre o empresário e Aécio era de R$ 2 milhões. Segundo investigações, em pelo menos duas ocasiões Fred foi pessoalmente à sede da JBS para buscar parte da propina acertada para o primo.

No texto publicado nas redes sociais, Lauro Pacheco de Medeiros Filho seguiu. "Vejo agora, Aécio, que você não faz jus à memória de seu saudoso pai, o deputado Aécio Cunha."

Defesa


A reportagem procurou o senador afastado para ouvi-lo sobre a mensagem do seu tio. Nota divulgada na semana passada pelo advogado de Aécio, José Eduardo Alckmin, afirmou que o "diálogo se deu numa relação entre pessoas privadas, no qual o senador solicitou apoio para cobrir custos de sua defesa, já que não dispunha de recursos para tal".

No mesmo comunicado, o senador afastado ainda disse lamentar os "termos inadequados que usou na conversa gravada, já tendo se manifestado diretamente junto a cada um dos companheiros e autoridades mencionados." O tucano também afirmou que não houve "contrapartida".

"O delator propôs, já atendendo aos interesses de sua delação, emprestar recursos lícitos provenientes de sua empresa, o que ocorreu sem qualquer contrapartida, sem qualquer ato que possa ser considerado ilegal ou que tenha qualquer relação com o setor público."