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Silêncio de Rocha Loures à Polícia Federal aumenta suspense na Lava-Jato

Levado para prestar depoimento, o "homem da mala" com R$ 500 mil se recusa a responder às perguntas dos delegados



O silêncio do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures aumenta o suspense sobre as informações que pode fornecer à Operação Lava-Jato. O ex-assessor especial do presidente Michel Temer foi levado para depor ontem no edifício-sede da Polícia Federal, em Brasília, mas se calou diante dos dois delegados. No termo de declarações, ele foi orientado pela defesa a não responder a nenhuma pergunta.

Loures chegou ao prédio da PF por volta das 8h e ficou na sala de depoimentos por menos de cinco minutos. Os advogados afirmam que a prisão dele, no sábado, ocorreu apenas para ;forçar uma delação;. Eles defendem que ;talvez solto; o cliente poderia cogitar a ideia de colaborar com a Justiça.

O ministro Édson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, na quarta-feira, um prazo de 48 horas para que Rocha Loures prestasse depoimento. Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal, a decisão do magistrado atendeu a um pedido da defesa para que os advogados tivessem mais tempo de avaliar os autos. Por isso, existia a expectativa de que o político falasse sobre o caso.

Quem solicitou a prisão de Loures foi o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. No pedido, ele sustentou que a reclusão do ex-deputado era ;imprescindível para a garantia da ordem pública e da instrução criminal;. Loures foi flagrado em abril correndo numa rua em São Paulo com uma mala contendo R$ 500 mil.

Em acordos de delação premiada feitos no âmbito da Operação Lava-Jato, executivos da JBS afirmam que o montante da mala seria dinheiro de propina. A ordem para manter Loures preso também se baseia nas acusações de tentativa de obstrução de Justiça e de associação criminosa. O presidente Temer é investigado no mesmo processo.

Na denúncia feita ao STF, o procurador Rodrigo Janot descreve Loures como ;homem de confiança do presidente Michel Temer;. No documento, Janot destaca que existem fortes indícios de que o ex-assessor agia para atrapalhar o andamento das investigações.

Rotina na cadeia
Transferido da Superintendência da Polícia Federal para o Complexo Penitenciário da Papuda na quarta-feira, Loures está numa cela de 25 metros quadrados. O investigado foi alocado no Bloco 5 do Centro de Detenção Provisória (CDP). Essa área é ocupada por detentos que ainda respondem a processo. Em caso de condenação definitiva, todos os presos são transferidos para celas comuns, com menos espaço e comumente mais lotadas.

No CDP, as celas, em geral, têm nove detentos cada uma, com três treliches, e o único eletrodoméstico permitido é uma televisão, que deve ser comprada pelos próprios internos. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, os presos provisórios têm direito a duas horas de banho de sol por dia.

Marina tem alta
A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede Sustentabilidade-AC) recebeu alta ontem de um hospital em Brasília, onde estava internada, desde o sábado passado, por causa de fortes dores abdominais. O quadro clínico de Marina manteve-se estável no período e ela apresentou melhoras diárias, afirmou a assessoria da ex-ministra, nas redes sociais. Entretanto, os resultados dos exames laboratoriais e de imagem ainda são aguardados para a definição do diagnóstico. Por isso, nos próximos dias, a ex-senadora continuará em repouso e afastada das atividades públicas.