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Correio Braziliense

Ouça a íntegra dos áudios da conversa entre delatores divulgados pelo STF

Ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu tornar pública a gravação. O fim do sigilo ocorreu sob a justificativa de que o interesse público "deve prevalecer"


postado em 06/09/2017 17:20 / atualizado em 06/09/2017 17:24

Ricardo Saud e Joesley Batista: delações(foto: Reprodução de internet)
Ricardo Saud e Joesley Batista: delações (foto: Reprodução de internet)
 

Quatro horas de gravação, com uma longa conversa entre os delatores Joesley Batista, dono da JBS, e Ricardo Saud, executivo do grupo, expuseram mais os planos, opiniões e ações concretas de corrupção no Brasil. Desde essa terça-feira (5/9), trechos das conversas, gravadas por eles e entregues ao Ministério Público Federal (MPF) na quinta-feira passada, têm sido divulgadas pela imprensa. Ontem, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu tornar pública a gravação, que evidencia informações que foram omitidas pelos delatores durante as investigações no âmbito da Operação Lava-Jato. O fim do sigilo foi decretado sob a justificativa de que o interesse público "deve prevalecer". Os áudios foram liberados nesta manhã de quarta-feira (6/9). 

Ouça a íntegra dos áudios divulgados pelo STF:

 
Com base no áudio, a Procuradoria-geral da República, informou que abriria um procedimento interno para analisar a revisão do acordo de colaboração da JBS. Segundo o procurador-geral Rodrigo Janot, os documentos e depoimentos dados pelos delatores não correm risco de perder a validade mesmo em caso de revisão do acordo. No entanto, todas as provas decorrentes da delação passam a ser colocadas em suspeição e podem se tornar ilegais. Janot classificou o teor da conversa como "gravíssimo".

 
Entre os fatos omitidos na delação estaria o envolvimento do ex-procurador Marcelo Miller em crimes cometidos pelos empresários. Miller estava na procuradoria durante o período das negociações para a delação e deixou o cargo para atuar em um escritório de advocacia em favor da JBS. Em nota, Miller negou as acusações de ter atuado como “agente duplo” e diz que não cometeu ato de improbidade administrativa.
  
Após a repercussão negativa do vazamento da informação, a empresa divulgou nota em que afirma que a conversa tem apenas “cogitações de hipóteses” e não compromete autoridades. Em outra nota, os empresários Batista e Saud pedem desculpas ao STF e à PGR pela citação das autoridades e afirmam que mentiram durante a conversa.

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