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Correio Braziliense

Prestes a sair da cadeia, Marcelo Odebrecht vai passar o Natal em casa

Empreiteiro, que deixará a cadeia no próximo dia 19, ficará em prisão domiciliar até 2020, sem poder ir à Odebrecht


postado em 09/12/2017 08:00 / atualizado em 08/12/2017 23:17

O ex-presidente da Odebrecht terá que usar tornozeleira fora da prisão: pessoas mais próximas afirmam que o tempo de cadeia mudou o empresário(foto: Google/Reprodu??o)
O ex-presidente da Odebrecht terá que usar tornozeleira fora da prisão: pessoas mais próximas afirmam que o tempo de cadeia mudou o empresário (foto: Google/Reprodu??o)


Depois de abalar a República, revelando o pagamento de bilhões de reais em propina para políticos, empresários e funcionários públicos, o empreiteiro Marcelo Odebrecht, ex-presidente da construtora que leva o seu sobrenome, vai deixar a cadeia no próximo dia 19. A liberação dele causa tensão na direção da construtora, pois mesmo não podendo assumir nenhum cargo, em razão da condenação, o temor é de que ele volte a dar as cartas em uma das maiores empresas da área de construção do país, influenciando as decisões do grupo. Marcelo, que atualmente cumpre pena na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, está preso há dois anos e seis meses, condenado pelo crime de corrupção e lavagem de dinheiro, em decorrência do envolvimento no esquema investigado pela Operação Lava-Jato.

Na sentença, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara de Curitiba, define que, após o cumprimento de dois anos e meio em regime fechado, Marcelo tem direito à progressão de regime, para domiciliar integral, com uso de tornozeleira eletrônica. Ou seja, mesmo sendo liberado seis dias antes do Natal, o empresário está proibido de ir até a empresa, podendo atuar apenas a distância, em trabalho home office, por exemplo. Após esse período, que terminará em 2020, ele passará para o semiaberto, com obrigação de voltar para casa à noite, nos fins de semana e feriados. A partir daí, ele pode voltar a trabalhar.

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Dentro da Odebrecht, o clima na administração é de total tensão. Uma fonte ligada à empresa, que prefere não ser identificada, afirma que a cúpula da construtora já discute o que pode mudar após Marcelo deixar a cadeia. “Ninguém sabe o que vai acontecer de fato. Nos últimos anos, pessoas ligadas ao Marcelo e familiares foram descendo na hierarquia ou sendo afastados. Tudo isso foi feito para que ele não possa mais influenciar nas decisões, pois tudo o que ocorreu colocou em risco a existência da Odebrecht. Mas não se pode prever o que vai ocorrer. Inclusive sabemos que é possível que ele volte a tomar decisões que influenciem na gestão do grupo, mesmo que de forma mais disfarçada”, destacou.

Quando o executivo foi preso, em junho de 2015, até mesmo integrantes da Lava-Jato duvidavam que ele passasse tanto tempo na cadeia. Na época, em um grupo de WhatsApp, delegados e policiais chegaram a fazer apostas do tempo de prisão em regime fechado do empresário. Os prognósticos mais otimistas não passavam de duas semanas. Com o tempo essa perspectiva foi mudando, com a revelação de um departamento de propinas na empresa. Procurada pela reportagem, a Odebrecht não quis se manifestar. A defesa de Marcelo não retornou as ligações.

Colegas de trabalho de Marcelo definem a personalidade do executivo como o de uma pessoa discreta, que fugia de exposições e um grande estrategista. O perfil do executivo reforça as possibilidades de que ele volte a atuar profissionalmente em breve.

O escritor Marcelo Cabral, autor do livro O príncipe – uma biografia não autorizada de Marcelo Odebrecht, conta que quando o empresário ocupava a presidência da empresa, ele buscava chamar pouca atenção fora das atividades profissionais. “O Marcelo tem uma personalidade muito parecida com a do avô dele, o Norberto. Ele sempre foi muito reservado, organizado, e considerado inteligente. Ele odiava a exposição pública. Apesar do grande poder aquisitivo, todos os carros dele, por exemplo, eram modelos comuns”.

Rotina na cadeia


Durante os 30 meses de reclusão, Marcelo dá sinais de que passou por uma metamorfose. Se no início se recusava a responder perguntas do juiz da Lava-Jato em Curitiba e que chegava à cadeia com a cabeça levantada como se andasse pelos corredores da empresa que conduzia, o empreiteiro virou o detento humilde e que refletia constantemente sobre a vida.

Aos advogados, ele confidenciou a vontade de reerguer a empresa fundada pela família, sem o envolvimento em negócios ilícitos, como o pagamento de propina. Aos colegas de cela, ele deve deixar saudades, pelo menos dos momentos em que dividia alimentos levados pela família com os demais. Geralmente, o empresário fazia pizza em uma frigideira, com ingredientes de primeira qualidade deixados pelos parentes. Os alimentos eram frequentes, já que a irmã dele tem acesso garantido ao presídio, por ser advogada.


"O Marcelo tem uma personalidade muito parecida com a do avô dele, o Norberto. Apesar do grande poder aquisitivo, todos os carros dele, por exemplo, eram  modelos comuns”
Marcelo Cabral, autor do livro O príncipe – uma biografia não autorizada de Marcelo Odebrecht

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