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Correio Braziliense

Anúncio de Jucá sobre Previdência pega os aliados de surpresa

Deputados, prefeitos e empresários recebem notícia com consternação. Temer se reunirá com Maia e Eunício para anunciar a data da votação


postado em 14/12/2017 06:00

Temer durante solenidade em Brasília antes de embarcar para São Paulo para cirurgia(foto: Marcos Corrêa/PR)
Temer durante solenidade em Brasília antes de embarcar para São Paulo para cirurgia (foto: Marcos Corrêa/PR)
 
A possibilidade de adiamento da votação da reforma da Previdência pegou de surpresa empresários e prefeitos. Embora o Palácio do Planalto garanta que não é voto vencido e que o presidente da República, Michel Temer, ainda se reunirá hoje com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), líderes empresariais e municipais receberam a notícia com consternação. Para eles, deixar para 2018 pode criar mais dificuldades para a aprovação.
 
 
O espanto dos dirigentes não é à toa. Ontem pela manhã, inclusive, Temer recebeu uma comitiva de cerca de 200 prefeitos. Cobrou apoio para que dialoguem e façam um trabalho de convencimento aos deputados federais. Em tom confiante, o peemedebista disse ter certeza que os líderes municipais fariam campanha. “Peço isso com muito empenho e entusiasmo, na certeza que, depois dessa reforma, nós ainda faremos um país com uma simplificação tributária”, afirmou, em reunião pela manhã.

As chances de postergação preocupam o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, que, pela manhã, destacou que a aprovação da reforma é benéfica para o equilíbrio das contas das prefeituras. “Quanto mais adia, mais difícil fica. É lógico que gostaríamos que a votação acontecesse agora (em  2017)”, destacou. O dirigente, no entanto, prega que a “chama” deve permanecer acesa. “É a política do possível, não do que temos. Há momentos em que é preciso recuar para avançar mais adiante. Vamos aguardar. Ao menos, permitirá que sobre mais tempo para justamente trabalhar o convencimento com os deputados indecisos antes do recesso parlamentar”, ressaltou.

Para um dirigente de uma entidade varejista que apoia a reforma, um adiamento pode ser precipitado. “Acredito que o governo certamente sairia vencedor. Mas os parlamentares podem ter informações que não temos. Talvez entendam que seja melhor não votar do que votar e perder”, analisou. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (Cbic), José Carlos Martins, classificou a postergação como uma “pena”. “O Brasil perde muito se ficar prorrogando a votação de uma medida dessa magnitude”, analisou. No entanto, respeita a decisão. “São eles que entendem do Parlamento. Então, vamos respeitar o conhecimento”, ponderou.

Oficialmente, o Planalto nega que a votação será adiada. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência informou que, após ser submetido ontem a um procedimento cirúrgico de desobstrução da uretra, no Hospital Sírio-libanês em São Paulo, ele retorna hoje a Brasília. Na capital federal, ele aguardará pela manhã a leitura do novo texto da reforma pelo relator da proposta, Arthur Maia (PPS-BA), sobre o projeto.

Somente após a leitura, Temer discutirá com Eunício e Maia a data de votação. Ainda que a opção seja pela postergação, interlocutores do presidente não classificam a decisão como uma derrota. “Derrota seria botar para votar e perder. Tem deputado que acha que o assunto vai sumir no ano que vem. Sejam candidatos a deputado, senador, governador, ou mesmo a presidente da República, ninguém poderá escapar de discutir o tema, que ficará na pauta da Câmara”, ressaltou uma fonte do Planalto.

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