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Correio Braziliense

Previdência, eleição e Maluf agitam a última semana do ano

Últimos dias úteis de 2017 vão trazer movimento intenso de empenhos de despesas do Orçamento, usados nas negociações da reforma das aposentadorias. Discussões envolvem pleito do próximo ano. E Câmara deve tomar decisão sobre prisão do deputado


postado em 26/12/2017 06:00

Segundo Marun,
Segundo Marun, "ainda falta alguma coisinha aqui e ali" nas discussões sobre as mudanças previdenciárias (foto: Sergio Lima/AFP)

Passado o descanso de Natal, o presidente Michel Temer mergulha novamente nas negociações da reforma da Previdência, cuja votação pela Câmara foi adiada para 19 de fevereiro. Hoje, ele vai se reunir com ministros, parlamentares e demais aliados para resolver as pendências de 2017 e traçar objetivos para direcionar 2018. Até sexta-feira, Brasília terá trabalho intenso. Entre os principais arranjos previstos estão a reorganização da base e a pré-avaliação do quadro eleitoral, baseada, principalmente, nas boas notícias envolvendo a economia. O último dia útil do ano, aliás, sempre foi decisivo nas finanças públicas: é a data-limite para os ministérios fecharem as contas.

Segundo o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, que estará na capital e tem encontro marcado com o presidente (veja quadro ao lado), “as conversas sobre a eleição acontecem inevitavelmente, mas, agora, a prioridade é a Previdência”. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, apareceu na semana passada na propaganda de tevê de seu partido, o  PSD, dando indícios de que a ideia de ser candidato ao Planalto é para valer.  Mas, para analistas da cena politica nacional, se a evolução da economia conseguir criar um nome capaz de disputar a Presidência em 2018, ele será Michel Temer.

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“Existe a possibilidade de  Meirelles ser candidato, claro, ele tem vontade e está à altura do cargo. O Michel, da mesma forma. Mas a questão da sucessão presidencial não é uma coisa prioritária. A nossa preocupação são os votos da Previdência. Para isso, estamos na correria atrás dos votos, porque ainda falta alguma coisinha aqui e ali. Mas eu acredito na boa vontade dos parlamentares e sei que vamos conseguir aprovar o projeto”, afirmou Marun.

Outro aliado no Congresso que deve participar das reuniões é o vice-líder do governo na Câmara Beto Mansur (PRB-SP), que, pelo Instagram, confirmou presença em Brasília nesta semana. Próximo de Temer, ele é visto como um grande puxador de votos na Casa para a proposta de emenda à Constituição da Previdência, que precisa de 308 votos para ser aprovada. Além dos temas envolvendo as atividades parlamentares, o deputado paulista é um grande conselheiro do presidente.

Parlamentares também devem se reunir em torno do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que pretende decidir sobre a perda de mandato de Paulo Maluf (PP-SP). Maia voltou a defender que o plenário da Câmara deve decidir sobre o tema, da mesma forma que ocorreu com Aécio Neves (PSDB-MG) no Senado, conforme já havia afirmado. “Quem pode cassar um mandato é a sociedade representada pelo plenário da Câmara. Mas a assessoria está vendo. No dia 27 (amanhã) eu decido qual vai ser o encaminhamento: se a mesa decide ou se a mesa recorre da decisão e pede uma posição, um esclarecimento, do Supremo”, disse o presidente da Câmara.

Pagamentos

Grandes decisões ainda serão tomadas na área financeira, com o aporte de empenhos para a estrutura governamental que, até a semana passada, havia pago apenas 84,9% do total empenhado — R$ 2,8 trilhões — em 2017. Para o especialista em contas públicas e secretário-geral da ONG Contas Abertas Gil Castelo Branco, “a correria do fim de ano, sobretudo no Natal e ano-novo, coincide com o momento em que prefeitos e parlamentares mais pressionam o governo em busca de dinheiro”.

“Com a liberação de R$ 5 bilhões anunciada pelo Planalto, há pessoas lançando despesas, com capacidade de levantar algum dinheiro. Mas é necessário ter prestígio para conseguir esse repasse. O orçamento de 2018 foi aprovado com certa antecedência, então, não vejo grandes problemas. No mais, teremos atividades comuns, como aquelas previstas pelo Tesouro Nacional, que divulga os resultados das contas públicas; e pelo Banco Central com a publicação do relatório sobre as finanças públicas de novembro”, explicou Gil. “O que falta é aprovar a Previdência e os ajustes fiscais. Isso, sim, vai deixar as contas do ano que vem difíceis”, disse.

Fim de ano agitado

Confira os acontecimentos previstos para a última semana útil de 2017 nas áreas Política e Econômica

Hoje
Previdência - Chegada do presidente da República, Michel Temer, a Brasília. Após dias de descanso em São Paulo com amigos e família, Temer desembarca na capital e deve se reunir com seus principais aliados. O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, tem horário marcado para 15h, a fim de começar as negociações sobre a reforma da Previdência, cuja discussão na Câmara dos Deputados está prevista para 19 de fevereiro.

 Quarta-feira (27)
Paulo Maluf - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidirá se a Casa recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que os parlamentares votem a perda de mandato do deputado Paulo Maluf (PP-SP). Em maio, o parlamentar foi condenado a sete anos, nove meses e 10 dias de prisão em regime fechado por crimes de lavagem de dinheiro. Ele se entregou à Polícia Federal na última quarta, 20 de dezembro.

 Quinta-feira (28)

Finanças públicas - O Banco Central divulga relatório sobre as finanças públicas de novembro. As informações detalham a real situação das contas do governo federal, de estados e municípios. Além disso, apontam o tamanho da dívida pública do país.

 Sexta-feira (29)
Desemprego - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga os dados de desemprego da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2017.

Empenhos - 
Por tratar-se do último dia útil do ano, é o prazo-limite para que os ministérios e demais órgãos da estrutura pública, como os tribunais e o Congresso Nacional, fechem as contas. Até a semana passada, apenas 84,9% dos empenhos haviam sido pagos pelo governo federal.

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