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Correio Braziliense

Marun nega ter condicionado liberação de recursos ao apoio à Previdência

Ministro-chefe da Secretaria de Governo baixa o tom das declarações; chefes de Executivos repudiam afirmações em carta aberta


postado em 29/12/2017 06:00 / atualizado em 28/12/2017 23:18

Marun:
Marun: "O Brasil avança, a economia reage. Nada me afasta do objetivo de fazer com que o país não retroceda" (foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Ainda que ao seu jeito, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, amenizou o tom de suas declarações anteriores afirmando não ter condicionado a liberação de recursos para governadores ao apoio destes à reforma da Previdência. Os administradores estaduais encaminharam uma carta aberta ao Palácio do Planalto repudiando as considerações do ministro na quarta-feira. No entanto, a assessoria da Presidência informou que, até a manhã de ontem, não havia recebido documento nenhum.

“Desafio qualquer um a destacar o trecho em que afirmo que financiamentos estão condicionados a apoio à necessária reforma da Previdência. Afirmei, como reafirmo, que espero que todos os agentes públicos tenham a responsabilidade de contribuir neste momento histórico da vida da nação”, afirmou o ministro, em nota oficial divulgada ontem. “E afirmei, como reafirmo, que vou dialogar de forma especial com aqueles que estão sendo beneficiados por ações do governo, pleiteando o seu envolvimento no esforço que estamos fazendo para realizar as reformas que o Brasil necessita.”

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Conhecido pelo seu estilo incisivo de defender os aliados, Marun não deixou de criticar a postura dos governadores que, segundo ele, distorceram suas palavras. “A reação daqueles que querem continuar omitindo a participação do governo federal nas ações resultantes de financiamentos obtidos junto aos bancos públicos só se justifica pela intenção de buscar resultados eleitorais exclusivamente para si. Estes defendem a equivocada tese de que quem recebe financiamentos pratica ações de governo e que quem os concede, não”, disse o articulador político do governo.

Marun, que assumiu no último dia 15, justamente para conduzir as negociações que permitam a aprovação das mudanças nas regras da aposentadoria, destacou, sem citar números específicos, os resultados já obtidos pelo governo do presidente Michel Temer. “O Brasil avança. Nossa economia reage. Nada me afastará do objetivo de fazer com que o país não retroceda”, finalizou Marun.

Segundo apurou o Correio, embora não seja do interesse do Planalto comprar uma briga explícita com os governadores neste momento em que todos são enxergados como fundamentais na batalha para aprovar a Previdência, as palavras ríspidas de Marun foram atribuídas ao “jeito Marun de ser”. E que, pelo menos até o momento, não há razões para que o presidente Temer dê um puxão de orelhas no fiel escudeiro.

A bancada do PT, contudo, entrou ontem com duas representações contra o ministro. “O ministro representado, que deveria zelar pela estrita observância da Constituição Federal, opta por declarar abertamente que o governo é capaz até de chantagear governadores em troca de apoio político para a reforma da Previdência”, afirma a bancada, em representação criminal, protocolada na Procuradoria-Geral da República.

Na ação, a bancada solicita que a procuradora-geral, Raquel Dodge, tome as medidas necessárias para evitar que as “ameaças do ministro se cumpram”, com prática de atos jurídicos, por parte da União, condicionada a posições políticas dos governadores. “A conduta do ministro incide em delitos inscritos na legislação penal e devem ser coibidas por se tratarem de liberação de dinheiro público em troca de um favor, que seria o apoio na aprovação da impopular Reforma da Previdência”, afirma a nota assinada pelos deputados.

Temer deixará para a semana que vem a tarefa de escolher o substituto de Ronaldo Nogueira no Ministério do Trabalho. Ele pediu exoneração para concorrer nas eleições de 2018, apesar do prazo de desincompatibilização ser apenas em abril do próximo ano. Um dos cotados para assumir o posto é o deputado Pedro Fernandes (PTB-MA), mas o presidente só tomará a decisão após conversar com o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson. A preocupação é não escolher um nome que possa gerar desgastes ao governo, obrigando o Planalto a promover uma nova troca ministerial.

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