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Correio Braziliense

TRF-4, onde Lula será julgado, relata ameaças por telefone e internet

Desembargador Thompson Flores se encontra com Cármen Lúcia, em Brasília, e com Raquel Dodge, da Procuradoria-Geral da República, e detalha ameaças recebidas


postado em 16/01/2018 06:00 / atualizado em 16/01/2018 00:18

Cármen Lúcia e Thompson Flores, durante encontro na manhã de ontem no Supremo: relatos sobre ameaças de magistrados e detalhes da segurança que será empregada(foto: Carlos Moura/SCO/STF)
Cármen Lúcia e Thompson Flores, durante encontro na manhã de ontem no Supremo: relatos sobre ameaças de magistrados e detalhes da segurança que será empregada (foto: Carlos Moura/SCO/STF)


Uma semana antes do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), desembargador Carlos Thompson Flores, teve uma agenda lotada em Brasília. Na manhã de ontem, ele se reuniu com a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Na pauta do encontro estava a segurança de desembargadores que vão julgar o petista. Durante a tarde, conversou com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e detalhou as ameaças que chegaram por telefone e pela internet.

O recurso apresentado pela defesa de Lula será analisado no dia 24 deste mês. O ex-presidente foi condenado a nove anos e seis meses de cadeia em um processo que envolve a compra de um tríplex no Guarujá, em São Paulo. O Ministério Público afirma que o imóvel teria sido repassado a ele em forma de propina. Além disso, os procuradores apontam que diversas reformas foram realizadas no apartamento, a pedido de Lula. Militantes, políticos e movimentos sociais estão se organizando para ir até Porto Alegre, sede do TRF-4, em apoio ao petista. A defesa de Lula nega as acusações e afirma que “são motivadas por perseguições políticas”.

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O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Roberto Veloso, afirmou que recebeu do ministro da Justiça, Torquato Jardim, a informação de que a Polícia Federal já identificou diversos autores de ameaças contra os magistrados. Para Thompson, as reações em torno do caso são exageradas. “Está havendo um alarde desnecessário sobre esse julgamento. Caso a sentença seja confirmada, haverá uma série de recursos ao STJ e ao STF. As ameaças são frequentes contra o Judiciário em outras situações. Mas esse caso está tomando uma proporção que nunca ocorreu no Brasil. O teor das mensagens que eu vi chegavam a falar em atear fogo ao tribunal”, afirmou.

Filiados

Uma das mensagens contra os juízes que já foi identificada partiu de um filiado do PCdoB. Urias Fonseca Rocha, de 58 anos, morador do Mato Grosso do Sul, gravou um áudio dizendo que era preciso “ir pra rua, ir pro pau” e “começar a estourar a cabeça de coxinha, de juiz, mandar esses golpistas para o inferno”. Em nota, o PCdoB afirmou que “esse tipo de manifestação, bastante grave, não representa a posição do partido” e destacou que Urias já foi excluído do quadro de filiados. O militante afirmou, antes de apagar suas informações das redes sociais, “que não quis incentivar a violência e não é a favor da luta armada”.

A reunião com a ministra Cármen Lúcia teve início às 10h30 e demorou pouco mais de uma hora. Thompson Flores informou à presidente da Suprema Corte que os juízes e seus familiares que integram a 8ª turma da Corte já estão sob proteção policial. Além da segurança habitual, agentes de inteligência e da PF acompanham os desembargadores e monitoram a região do tribunal. O encontro com Raquel Dodge ocorreu no fim da tarde, na sede da Procuradoria-Geral da República (PGR). O desembargador apresentou para Raquel informações obtidas pela PF sobre de onde partem e o teor das ameaças e falou sobre a tipificação dos crimes.

Uma nova reunião com o ministro da Justiça está agendada para a próxima sexta-feira. A intenção é saber como será a atuação dos órgãos de segurança durante o julgamento e se as polícias do estado podem impedir eventuais investidas de grupos radicais. A maior preocupação é decorrente da grande quantidade de pessoas que deve se concentrar em frente ao prédio do tribunal. Por conta disso, a Corte decidiu dispensar servidores no dia da audiência. As vias em torno do edifício serão interditadas para veículos e cordões de isolamento serão realizados para impedir a proximidade de manifestantes. Deputados do PT estão sendo convidados para acompanhar a sessão, por meio de uma sala que vai permitir a transmissão por vídeo.

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