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Correio Braziliense

Incertezas sobre futuro de Lula travam o jogo eleitoral até outubro

A ideia do PT é ganhar o maior tempo possível. A avaliação é de que, até o dia de hoje, Lula vem conseguindo mudar o jogo do debate político


postado em 24/01/2018 06:00 / atualizado em 24/01/2018 07:17

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%u201CAcredito na condenação e na punição do presidente Lula, mas, politicamente, o ideal seria ele ser candidato e derrotá-lo", disse o prefeito de São Paulo, João Dória (foto: AFP PHOTO / Jefferson Bernardes)


Qualquer que seja o desfecho do julgamento hoje em Porto Alegre, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguirá truncando o jogo eleitoral de 2018. A chance de que ele consiga ser candidato, o que atiraria a disputa eleitoral em uma zona cinzenta de incertezas, não é desprezível. Essa percepção fica ainda mais nítida nos discursos de possíveis adversários do PT, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do prefeito da capital, João Doria, de que prefeririam derrotar o petista nas urnas; nos múltiplos recursos que poderão ser apresentados ao próprio tribunal e nas instâncias superiores, que poderão adiar por um longo tempo a definição se Lula estará inelegível ou não; e nos movimentos dos partidos, que marcam as convenções e encontros eleitorais nos próximos meses para cuidar da própria vida, tendo o PT no radar de observações.

Lula está analisando, com seus aliados mais próximos, como usará o resultado do julgamento de hoje. Evidentemente que tudo dependerá do placar:  2 a 1 ou 3 a 0 contra. O fiel escudeiro Gilberto Carvalho, ex-chefe de gabinete de Lula e que ocupou a Secretaria-Geral da Presidência no governo Dilma Rousseff, considera 2 a 1 pela condenação um bom resultado. “Não tenho grandes ilusões em relação ao julgamento. Dois a um (pela condenação) já seria uma vitória”, disse ele.

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A ideia do PT é ganhar o maior tempo possível. A avaliação é de que, até o dia de hoje, Lula vem conseguindo mudar o jogo do debate político. Teriam aumentado, segundo avaliações dos petistas, as percepções de que seria vítima de uma perseguição política. Prova disso é que a rejeição ao nome dele nas pesquisas de intenção de voto diminuiu. Em contrapartida, o juiz Sérgio Moro não seria mais uma figura tão unânime como era no início da Lava-Jato.

“O julgamento de hoje será uma grande batalha de Itararé. Muito barulho, mas os tiros serão todos na água”, disse o deputado Chico Alencar (PSol-RJ), misturando trechos da história brasileira com referência a um jogo de tabuleiro. “Não importa qual for o resultado, haverá uma infinidade de recursos que arrastarão esse assunto até próximo da eleição”, afirmou Chico.

Repercussão

Em São Paulo, o provável candidato do PSDB ao Planalto, governador Geraldo Alckmin, evitou analisar um cenário de disputa presidencial sem o petista. “Eu aguardo a decisão da Justiça, qualquer que for. Nossa tarefa é política. Agora, nós vamos enfrentar e derrotar o PT, seja quem for o candidato. Concorrente não se escolhe. Estamos preparados para enfrentá-los”, declarou Alckmin.

O prefeito de São Paulo, João Doria, foi ainda mais explícito ao traçar o quadro eleitoral, mas também muito mais agudo nos ataques ao ex-presidente. “Acredito na condenação e na punição do presidente Lula, mas, politicamente, o ideal seria ele ser candidato e derrotá-lo nas eleições de outubro para enterrarmos o mito Lula e aprisionarmos o Luiz Inácio”, disse Doria. “Creio que o ex-presidente Lula vai seguir sua candidatura, vai usar dos subterfúgios que a legislatura brasileira confere”, completou, antes de participar do almoço do Itaú, no Fórum Econômico de Davos, na Suíça.

Também na Suíça, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, preferiu não comentar o julgamento de hoje. Mas, como ex-presidente do Banco Central na gestão de Lula, fez questão de elogiar o petista. “Acho que a candidatura dele é positiva politicamente, porque dá aos eleitores a oportunidade de julgar se querem ou não querem eleger ele ou outro candidato qualquer. Em 2002, ele tinha propostas bastante radicais, mas, no momento em que assumiu, fez uma administração fiscal conservadora nos primeiros quatro anos e foi uma surpresa extremamente positiva para o país e o mercado”, elogiou Meirelles.

"Não tenho grandes ilusões em relação ao julgamento. Dois a um (pela condenação) já seria uma vitória”
Gilberto Carvalho, ex-chefe de gabinete do Lula no Planalto

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