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Correio Braziliense

Maurício Gerum: 'Tropa de choque buscava perpetuação no poder'

Em sua sustentação, no julgamento do recurso do ex-presidente Lula, Maurício Gotardo Gerum afirmou que a tentativa de reduzir o processo ofende não só a ele, mas a todos


postado em 24/01/2018 10:09 / atualizado em 24/01/2018 10:48

Maurício Gotardo Gerum defendeu a tese da acusação sobre o caso do triplex (foto: Reprodução)
Maurício Gotardo Gerum defendeu a tese da acusação sobre o caso do triplex (foto: Reprodução)

Responsável pela acusação no julgamento do recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o procurador regional da República Maurício Gotardo Gerum defendeu a tese da acusação sobre o caso do triplex do Guarujá (SP). Em sua fala, Gerum afirmou que "uma tropa de choque foi criada para garantir a perpetuação de um projeto político pessoal do ex-presidente Lula". "São tropas de choque que se formam no parlamento como instrumento de supressão do diálogo. Uma tropa de choque criada para garantir a perpetuação de um um projeto político."


O magistrado afirmou que a tentativa de reduzir o processo ofende não só a ele, mas a todos. "É desrespeito", criticou. Maurício Gotardo Gerum ocupa a cadeira que fica do lado direito do presidente da 8.ª Turma Criminal do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), Leandro Paulsen. Ele foi o terceiro a falar na sessão que analisa a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz Sérgio Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Ele também citou que a "promiscuidade" entre o mundo político e o mundo empresarial "nunca é inocente". "É rechaçada na maior parte dos países porque nunca é inocente. No Brasil, uma cultura retrógrada, contaminada por séculos de compadrio entre o poder econômico e o poder político torna aceitável essa intimidade absolutamente artificial, porque baseada apenas no toma lá dá cá", comentou.


Justiça é incompatível com pressão popular

Gerum afirmou ainda que o processo judicial não é um processo parlamentar. "A técnica que caracteriza o processo judicial é incompatível com a pressão popular", acrescentou o procurador. Ele rejeitou os argumentos das defesas no recurso que é julgado tribunal. Ele citou ainda o relacionamento de Lula com o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, réu no mesmo processo, no episódio no qual o executivo mostrou o apartamento à família de Lula.
"Não há dúvida probatória, inúmeras notas fiscais, depoimentos e mensagens entre executivos, de que o imóvel estava sendo preparado para o ex-presidente."

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