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Correio Braziliense

Crise das grandes legendas abre espaço para pequenos partidos

Pequenos partidos têm a chance de amplificar discurso usando mídias digitais


postado em 11/02/2018 08:00 / atualizado em 10/02/2018 20:16

Foi-se o tempo em que a principal imagem do carnaval era a do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Ao que tudo indica, também são grandes as chances de ser apenas uma memória do passado a hegemonia das grandes legendas — PT, PMDB e PSDB — na corrida eleitoral. Com carros emperrados e mestres-salas enrolados por problemas complexos, as agremiações estão sendo obrigadas a dividir a ribalta com os bloquinhos que arrastam multidões pelas ruas do país. Essa evolução levou os partidos de pequeno e médio porte a sentirem-se no direito de sonhar com o Planalto em 2019. DEM, PPS, PDT, PCdoB, PSol, Rede e Novo juram que não vão atravessar o refrão em outubro.

Os pequenos carnavalescos sabem que não terão muito dinheiro disponível para espalhar seu samba. Que terão de mudar a forma de distribuição da mensagem que desejam transmitir, mas apostam no boca a boca segmentado, e não na superprodução que bombardeia os ouvidos dos foliões. “Os tempos são outros. Os jovens não veem TV aberta, a população não vai parar para assistir ao horário eleitoral. O país vive uma mudança de fase e, por isso, as pequenas legendas têm condições de amplificar o discurso eleitoral gastando menos do que gastavam em disputas anteriores”, explica o vice-presidente digital da Ideia Big Data, Moriael Paiva.

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Responsável por abrir as conversas com o marqueteiro de Emmanuel Macron, Guillaume Liegey, Moriael lembra que a população brasileira, mais do que nunca, está conectada. “Não há em outro país do mundo a quantidade de informação que circula pelo WhatsApp. Podemos até achar que existe muita coisa desnecessária. Mas ele, o Facebook e o Youtube viraram ferramentas fundamentais de comunicação”, completa Moriael. Para ele, isso substituiria a figura dos cabos eleitorais sacudindo bandeiras no meio das ruas, algo que demanda um fluxo de dinheiro brutal. “A mobilização tem de ser precisa, visitar os pontos e cidades que podem influenciar uma eleição. Pode até ser que, no mapeamento, sejam as mesmas que sempre foram visitadas. Mas não com o nível de informação que temos hoje”, completa.

As legendas médias e pequenas contam ainda com os carros alegóricos emperrados dos grandes partidos. O PT luta, no momento, para evitar a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva; o PSDB vê-se com uma disputa interna que não consegue ser adiada entre Geraldo Alckmin e Artur Virgílio. E o MDB, que está no poder, especula o nome do presidente Michel Temer, que patina nos 6% de aprovação popular.

“A Lava-Jato e os episódios recentes mostraram o desgaste dos grandes partidos. Se eles passarem na avenida, vão ser vaiados. Mas nós, dos bloquinhos, precisamos ter um argumento bom para atrair os foliões”, diverte-se o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), entrando no clima carnavalesco do debate. O partido que ele preside talvez seja o principal exemplo dessa transição, ao aguardar ansiosamente uma resposta — que espera positiva — do apresentador Luciano Huck como pré-candidato da legenda.

O PCdoB, que sempre foi satélite do PT nas campanhas presidenciais, lançou como rainha da sua bateria a deputada estadual (RS) Manoela D’Ávila. “Sabemos que não temos dinheiro, o fundo partidário é baixo. Mas sempre fizemos campanha com base na mobilização da militância. Manoela tem posições muito firmes, o fato de ser mulher também ajuda no discurso voltado para um segmento importante”, reforça a presidente nacional do PCdoB, deputada Luciana Santos (PE).

Novo líder do DEM na Câmara, Rodrigo Garcia (SP) afirma que o aumento da bancada após o troca-troca partidário de março servirá para ampliar o exército de militantes. O partido cogita lançar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), como candidato. “Com mais deputados, fica mais fácil difundir nossa propaganda pelos estados. O que torna a nossa candidatura viável”, acredita Garcia. Um dos principais organizadores da Rede Sustentabilidade, Pedro Ivo aposta na inovação. “É preciso ser criativo e saber usar as redes sociais. Esse modelo de campanha, unido ao momento atual do país, não necessita de muitos recursos para ser realizado”, garante ele.


"O país vive uma mudança de fase e, por isso, as pequenas legendas têm condições de amplificar o discurso eleitoral gastando menos do que gastavam em disputas anteriores”
Moriael Paiva, vice-presidente digital da Ideia Big Data

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