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Correio Braziliense

Fernando Segovia deixa o comando da PF; Rogério Galloro assume

Ex-diretor-geral foi exonerado pelo recém-empossado ministro Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann


postado em 27/02/2018 17:34 / atualizado em 27/02/2018 18:46

(foto: AFP PHOTO / EVARISTO SA)
(foto: AFP PHOTO / EVARISTO SA)

 

Recém-empossado ministro Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann anunciou nesta terça-feira (27/2) a exoneração de Fernando Segovia da Direção-Geral da Polícia Federal. Segovia será substituído pelo delegado Rogério Galloro.

 

No último dia 9, Segovia concedeu uma entrevista à agência Reuters e afirmou que a tendência era que a investigação contra o presidente Michel Temer no caso do Decreto dos Portos fosse arquivada. Segundo Segovia, não existiam elementos que confirmassem o pagamento de propina da empresa Rodrimar para o presidente.

 

Desde então, Segovia lidava com a pressão para deixar o cargo. O ex-diretor chegou a ser intimado a prestar esclarecimentos pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta segunda-feira (26/2), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu à Corte que, por meio de uma ordem judicial, impedisse Segovia de fazer declarações sobre inquéritos em curso, sob pena de perda do cargo em caso de descumprimento.

 

"Quaisquer manifestações a respeito de apurações em curso contrariam os princípios que norteiam a Administração Pública, em especial o da impessoalidade e da moralidade", disse a procuradora-geral. 


Também nessa quarta-feira, o juiz Ed Lyra Leal, da 22ª Vara Cível, negou um pedido para afastar Segovia do cargo. No entendimento do magistrado, as declarações do ex-diretor-geral não eram suficientes para afastá-lo. O pedido havia sido feito por meio de uma ação popular, protocolada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). 

 

Repercussão

Na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a decisão foi recebida com surpresa. No entanto, ele minimizou o impacto da troca afirmando que Segovia era um ótimo nome, mas que o novo diretor-geral também fará um ótimo trabalho.

 

Já na Procuradoria-Geral da República (PGR), apesar das declarações e do pedido de Raquel Dodge ao STF, a sensação geral é de que o Ministério Público Federal não teve influência na troca. O discurso nos bastidores é de que, com a criação do novo Ministério, o ministro tem liberdade para fazer as trocas que quiser e comandar a pasta da forma que julgar conveniente.

Relembre


Segovia assumiu a Direção-Geral da PF em 20 de novembro, no lugar de Leandro Daiello, que ficou quase sete anos no cargo. À época, houve certa desconfiança em relação à troca, já que a Polícia Federal era a responsável por conduzir a Operação Lava-Jato, que tem entre seus investigados o próprio presidente Michel Temer, e aliados diretos.

 

Pouco antes da posse, em entrevista ao Correio, Segovia afirmou que manteria a estrutura da operação, realizando apenas algumas alterações, por "questão de confiabilidade e questão de alinhamento com o pensamento a ser implementado nas operações". "Nós precisamos hoje ampliar as investigações de combate à corrupção", disse, na ocasião.  

 

Quem é Rogério Galloro

 

Segóvia será substituído por Rogério Augusto Viana Galloro, que era Secretário Nacional de Justiça, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, desde 22 de novembro do ano passado. Ele cuidava de assuntos estratégicos como migração, refugiados, estrangeiros, cooperação jurídica internacional, recuperação de ativos, combate à corrupção e ao tráfico de seres humanos e facilitação ao acesso à justiça.

 

(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)
Ex-aluno da Universidade de Harvard no Programa Segurança Nacional e Internacional, Galloro começou sua carreira na Polícia Federal como delegado em 1995, e atuou em unidades de repressão à drogas, a crimes fazendários e de inteligência policial. 

 

Galloro foi, por cinco anos, professor da Academia Nacional de Polícia na cadeira Migração. Desenvolveu habilidades em relações internacionais, adoção internacional, documentos falsos, tráfico de pessoas, segurança transnacional no Mercosul, controle de fronteiras na América do Sul, gerenciamento de crises em transporte aéreo e lavagem de dinheiro.

 

Representante da Polícia Federal junto a ICAO (Organização de Aviação Civil Internacional), em Montreal, Galloro coordenou o projeto do Novo Passaporte Brasileiro em 2006. 

 

O novo ministro esteve à frente das forças da PF na segurança da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016. 

 

Galloro é Bacharel em Direito desde 1992. Tem MBA pela FGV em Gestão de Políticas de Segurança Pública e Especialização pela UnB em Relações Internacionais.  

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