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Correio Braziliense

Democratas lança hoje Rodrigo Maia como pré-candidato ao Planalto

Caciques do partido, o senador Ronaldo Caiado e o prefeito ACM Neto afirmam que a candidatura de Rodrigo Maia, que será lançada hoje, não está vinculada ao governo. Caso a disposição vingue, será a primeira vez, desde 1989, que a legenda disputará o Planalto


postado em 08/03/2018 07:45 / atualizado em 08/03/2018 08:04

O o líder do partido no Senado, Ronaldo Caiado (GO), ressaltou a habilidade de Maia, algo que já pode ser notado, segundo ele, na condução dos trabalhos à frente da Câmara(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
O o líder do partido no Senado, Ronaldo Caiado (GO), ressaltou a habilidade de Maia, algo que já pode ser notado, segundo ele, na condução dos trabalhos à frente da Câmara (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

 
O Democratas ocupará o auditório Nereu Ramos hoje de manhã para dar seu grito de independência. O partido vai lançar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) como pré-candidato do partido ao Planalto. Se, lá na frente, a candidatura vingar, será a primeira vez, desde 1989, que o partido — na época ainda era PFL — terá um nome próprio na corrida presidencial. E, até o momento, Maia e os demistas prometem correr separados do Planalto.

“Rodrigo Maia não será candidato nem de governo, nem de oposição. Será candidato do DEM, do ideário que estamos construindo, de um conjunto de ideias e propostas para o futuro do Brasil. Que serão apresentadas a partir de amanhã (hoje) na nossa convenção nacional”, afirmou o prefeito de Salvador, ACM Neto, que será eleito presidente do DEM no encontro de hoje.

O discurso está muito alinhado. Em entrevista ao programa CB.Poder, uma parceria entre o Correio e a TV Brasília, de ontem, o líder do partido no Senado, Ronaldo Caiado (GO), ressaltou a habilidade de Maia, algo que já pode ser notado, segundo ele, na condução dos trabalhos à frente da Câmara. “O Democratas não vai lançar nenhuma candidatura vinculada ao presidente Michel Temer e muito menos com a obrigação de fazer a defesa do governo. O DEM vai lançar o seu candidato”, anunciou Caiado.

Um dos articuladores dessa pré-campanha é o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP). Além do Solidariedade, ele afirma que já estariam próximos a Maia o PP, o PSC, o PHS e o PR teria sinalizado disposição para uma conversa. “Somados, temos 150 deputados, o que daria 1/3 do tempo de televisão. Se chegarmos a 40%, não precisaremos de muito mais coisa para viabilizar essa candidatura”, disse Paulinho. “O que vai faltar? Maia rodar o país e colocar pautas populares para votar na Câmara”, completou.

Até o momento, o Planalto está na muda em relação aos movimentos de Maia. A avaliação de aliados de Temer é de que o DEM ainda se divide em três correntes. A primeira reúne os defensores da candidatura própria, encabeçada por Maia; o segundo, defende uma aliança com Geraldo Alckmin, tendo o atual ministro da Educação, Mendonça Filho, como vice; e o terceiro, formado majoritariamente pelos deputados do baixo clero, que tem medo de se afastar do MDB e ficar na chuva em ano eleitoral.

Os emedebistas apoiam-se no fato de que Temer não anunciou se será ou não candidato em outubro. No domingo, o presidente viajará para o Chile para a posse do novo presidente chileno, Sebastian Piñera. Levará apenas Maia e o chanceler Aloysio Nunes Ferreira. Temer, em tese, tem muito mais simpatia por Maia do que pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. “Ele foi fundamental para nós na votação das duas denúncias contra o presidente”, disse um integrante da tropa de choque de Temer.

Alckmin é o principal adversário de Maia

Por estrutura política e recall, o principal adversário de Maia, hoje, no campo de centro-direita, é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Mas o próprio presidente da Câmara começa a desconstruir a imagem do tucano. “Ele é um bom governador. Mas a rejeição do PSDB é hoje maior que a do PT, e isso está contaminando a imagem dele (do pré-candidato tucano)”, disse Maia, em entrevista à rádio Eldorado.

Paulinho afirma que o PSDB não é bem-visto entre os partidos do centrão. “O governo conseguiu colar nos tucanos a imagem de que eles não se empenharam — pela falta de pulso do Alckmin — em salvar o presidente nas duas denúncias do Janot. Para essa turma, ficou a sensação de que eles assumiram o desgaste de salvar a pele do presidente e o PSDB quis sair imaculado da crise”, lembrou o deputado do Solidariedade.

Colaboraram Denise Rothenburg e Leonardo Cavalcanti

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