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Homenagem a Marielle Franco na Câmara tem críticas à intervenção no Rio

Deputados mais alinhados com postura da vereadora na defesa dos direitos humanos também criticaram a presença de membros da bancada da bala na homenagem

Deborah Fortuna, Paulo de Tarso Lyra
postado em 15/03/2018 11:52
Sessão Solene em Homenagem à vereadora Marielle Franco
Em homenagem à vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSol), morta a tiros na noite dessa quarta-feira (14/3), a Câmara dos Deputados realizou uma sessão solene na manhã desta quinta-feira (15/3). Girassóis foram entregues aos participantes, que andaram juntos até o Salão Verde da Casa.

Os presentes gritavam palavras de ordem contra o feminicídio e a violência no Rio de Janeiro. "Marielle, presente", diziam as vozes antes de prestar o momento de silêncio dentro do Plenário Ulysses Guimarães. Durante a sessão, também foi criticada a ação da Polícia Militar e a presença da bancada da bala na homenagem.
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"Estamos profundamente emocionados, mas acreditamos que o sangue da Marielle vai germinar como semente que brotará por milhares e milhares de Marielles pelo país a fora e dará continuidade à sua luta e ao seu compromisso de defesa dos direitos humanos e da dignidade humana", afirmou a deputada Luiza Erundina (PSol/SP).
O deputado Júlio Delgado (PSB/MG) exigiu que se faça justiça. "A morte é de uma mulher negra que venceu pelos seus esforços e se tornou uma parlamentar como nós. A quem interessa essa execução? Vamos ficar aqui de prontidão e vigília até se extinguirem todas as suspeições sobre os responsáveis pela segurança pública do país. Já sabíamos por que esse governo decretou a intervenção. Por que não tinha mais o que dizer à população".
A deputada Maria do Rosário pediu um basta àqueles que atacam os direitos humanos. "Aqueles que vociferam contra os direitos humanos ferem a Constituição Federal e não estão à altura dos cargos que ocupam. Além de criminosos que puxaram o gatilho, são assassinos aqueles que fomentam o ódio, o racismo e a violência. Não confiamos nas autoridades instituídas para garantir a paz porque eles promovem a guerra", disse.
Marielle foi morta com quatro tiros na cabeça dentro de um veículo na Rua Joaquim Palhares, no Rio de Janeiro, por volta das 21h30 de ontem. Além da vereadora, o motorista Anderson Pedro Gomes também foi atingido e morreu. Uma assessora da vereadora foi atingida por estilhaços, levada para o hospital e depois liberada. Ela prestou depoimento. Segundo informações da polícia, um carro emparelhou ao lado do veículo de Mirelle e efetuou os tiros.
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