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Correio Braziliense

Assassinato de Marielle foi uma falha da intervenção, diz senador Cristovam

A vereadora foi brutalmente assassinada com três tiros quando voltava para casa de um evento sobre empoderamento de jovens negros. Além dela, morreu também o motorista do veículo, identificado como Anderson Gomes


postado em 15/03/2018 13:31 / atualizado em 15/03/2018 13:42

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

 
O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) disse ao Correio, nesta quinta-feira (15/3), que o assassinato da vereadora Marielle Franco na noite de ontem, no Rio de Janeiro, é um fracasso da intervenção militar no combate à violência do estado. O parlamentar afirmou ainda que a país perdeu uma grande mulher "forte e combativa" na política e na vida. 
 
"A morte de Marielle pode ser considerada um fracasso da intervenção militar, que havia sido convocado para tentar resolver a violência no estado. Não significa que seja "o" fracasso, mas, sim, falharam", opinou Cristovam.

Para o senador, o assassinato da vereadora pode significar o início de uma guerra civil política, que até então acontecia entre traficantes. No entanto, atualmente parece uma "clara conspiração contra parlamentares". 
  
"É preciso atenção e cuidado nesse tipo de criminalidade que está acontecendo. Embora a violência no Rio esteja em voga, há outros estados onde a segurança pública também está ameaçada", acrescentou. Cristovam não descartou, ainda, a possibilidade de outro parlamentar ser vítima dessa violência, principalmente por ser ano eleitoral.

"Os climas estão acirrados. Creio que seja um aviso de cuidado. A criminalidade deixa os representantes receosos de exercerem novos projetos. Os políticos candidatos ao estado do Rio de Janeiro, principalmente, devem estar buscando proteção. Se aconteceu com uma, pode acontecer com outro". 
 

Denúncia de violência


Marielle Franco era crítica da intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Há duas semanas, ela assumiu a função de relatora da Comissão da Câmara de Vereadores do Rio, criada para acompanhar a atuação das tropas na intervenção. No último 10 de março, ela havia denunciado, em seu perfil nas redes sociais, indícios de que policiais do 41º Batalhão de Polícia Militar haviam cometido abusos de autoridade contra os moradores do bairro de Acari.
 
"Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje, a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior", dizia a mensagem.
 
Marielle trabalha em defesa dos direitos humanos e no combate a ações violentas nas comunidades do Rio(foto: Reprodução/Instagram)
Marielle trabalha em defesa dos direitos humanos e no combate a ações violentas nas comunidades do Rio (foto: Reprodução/Instagram)
 

Ativista social

Conhecida pela militância na defesa dos direitos humanos e no combate a ações violentas nas comunidades do Rio de Janeiro, Marielle era referência nas políticas sociais do estado. Cristovam lamentou que essas minorias tenham perdido uma representante tão fiel e ativa na causa."Não a conhecia, mas conhecia a história dela. Ela simbolizava a luta, era uma mulher combativa na vida".
 
Nascida e criada na favela da Maré, Marielle foi eleita, em sua primeira corrida eleitoral, para o cargo de vereadora na capital carioca, com 46.502 votos. Ela foi a quinta política mais votada na cidade. Sua trajetória acadêmica e política lhe valeu a declaração pública de voto de 257 acadêmicos e professores, que declararam apoio a Marielle.
 
O Ministério dos Direitos Humanos lamentou profundamente o assassinato de Marielle. Em nota, disse que a parlamentar exercia um papel importante no ativismo em direitos humanos, com lutas expressivas na área de segurança pública e nas causas das mulheres, negros e população LGBTI.

O ministro Gustavo Rocha e o ObservaRIO vão se reunir nesta quinta com o interventor federal, General Braga Netto, para reforçar o pedido de rigor nas investigações do crime. "O Brasil e o Rio de Janeiro não podem mais aceitar o estado de barbárie que leva a crimes como o que vitimou Marielle. Neste momento, governo e sociedade civil precisam estar unidos para buscar soluções concretas de segurança, sem perder de vista o fundamento indispensável do respeito aos direitos humanos".  

Brutalmente executada

Aos 38 anos, Marielle foi assassinada a tiros na noite de quarta (14/3), no bairro Estácio, no centro do Rio. O motorista Anderson Pedro M. Gomes, 39, que dirigia o veículo também morreu. Marielle voltava de um evento chamado "Jovens Negras Movendo Estruturas", na Lapa.

Um carro emparelhou com o veículo de Marielle e foram efetuados ao menos nove disparos. Quatro tiros atingiram Marielle na cabeça, de acordo com a investigação da polícia. Uma assessora da vereadora, que também estava com os dois no carro, ficou ferida pelos estilhaços. Ela foi socorrida e passa bem.

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