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Correio Braziliense

Presidenciáveis tentam fortalecer candidaturas de governadores pelo Brasil

Das grandes legendas, PT é o que enfrenta mais dificuldades


postado em 25/03/2018 08:00

PT aposta na força do eleitorado nordestino(foto: AFP / Nelson Almeida)
PT aposta na força do eleitorado nordestino (foto: AFP / Nelson Almeida)

 
A pouco mais de seis meses de uma eleição com dinheiro limitado — só poderão ser usados recursos dos fundos eleitoral e partidário —, tempo reduzido e no meio de uma crise que desanima o eleitorado, os candidatos ao Planalto sabem que é fundamental espalhar o maior número de aliados nas disputas estaduais para garantir palanques para pedir votos. A pulverização está tão grande que tem palanques duplos e até triplos nas unidades da Federação.

Após governar o país por 14 anos, o PT, entre os grandes partidos, é o que enfrenta as maiores dificuldades. Isolado no campo da esquerda e sem a certeza de quem apresentará como candidato — Lula poderá escapar da prisão, mas não da condenação pela Lei da Ficha Limpa —, o partido aposta na força do eleitorado nordestino, mas os únicos palanques em que poderá dizer que tem chances concretas são aqueles com candidaturas próprias: Ceará, Bahia, Minas Gerais, Acre e Piauí.

Interlocutores do partido acreditam que a legenda sempre pode ter alguma força em São Paulo, embora o nome escolhido para concorrer ao governo tenha alcance limitado: o ex-prefeito de São Bernardo Luiz Marinho. Como vários outros postulantes ao Planalto, o PT enfrentará, no Ceará, o drama de um palanque duplo, que poderá ser até triplo. Grande favorito à reeleição, o petista Camilo Santana tem o apoio explícito do pré-candidato do PDT ao Planalto, Ciro Gomes. E ainda terá na chapa Eunício Oliveira, do MDB. Presidente do Senado e candidato à reeleição, Eunício poderá ficar em saia justa se a legenda lançar, de fato, o presidente Michel Temer como candidato à reeleição.

Os tucanos, que se acostumaram a polarizar com os petistas nos últimos anos as disputas presidenciais, têm, no papel, um número mais amplo de palanques, mas com uma série de ressalvas e asteriscos que podem contaminar as alianças políticas. No Sudeste, por exemplo, o PSDB tem alianças instáveis. Em São Paulo, terra do pré-candidato Geraldo Alckmin, a legenda terá como candidato estadual o prefeito de São Paulo, João Doria. Poderia ter também do governador a partir de 7 de abril, Márcio França. Mas o PSB não fechou aliança no plano nacional e as conversas minguaram.

Em Minas Gerais, o partido viu-se obrigado a implorar pela pré-candidatura do senador Antonio Anastasia, que já governou o estado. No Rio, pode se animar caso consiga a filiação do ex-prefeito Eduardo Paes. Mas este conversa com o PP, de Ciro Nogueira, e até mesmo com o PR, de Valdemar Costa Neto. Na Bahia, quarto maior colégio eleitoral do país, terá de apoiar o nome do DEM, ACM Neto — que se tornou presidente do partido e lançou Rodrigo Maia ao Planalto. E no Distrito Federal, o deputado Izalci Lucas sonha com o Buriti, mas a atual secretária de Projetos Estratégicos do GDF, Maria de Lourdes Abadia, que apoiar a reeleição do governador Rodrigo Rollemberg.

Variáveis

Apesar de, até o momento, ter apenas 1% das intenções de voto nas pesquisas, Rodrigo Maia (RJ) deu declarações contundentes, na entrevista concedida ao Correio, de que não abrirá mão de concorrer ao Planalto. O partido está animado com as candidaturas de ACM Neto na Bahia; Ronaldo Caiado, em Goiás; César Maia, no Rio; Rodrigo Pacheco e Alberto Fraga, no Distrito Federal. No Pará, é a vez do DEM dividir espaço com os tucanos. O pré-candidato do partido é Márcio Miranda, vice-governador de Simão Jatene. É quase improvável que Jatene deixe Alckmin de fora do palanque.

Já o nome mais forte da esquerda caso Lula de fato fique fora da cédula presidencial, o ex-ministro Ciro Gomes tem algumas situações confortáveis e outros palanques a construir. No Distrito Federal, ele contará com o apoio do atual presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle. No Rio, apostando no discurso acirrado da segurança pública, o partido vai lançar a ex-chefe da Polícia Civil fluminense Martha Rocha.

O PDT, contudo, não escapou dos palanques duplos. Em Minas Gerais, o pré-candidato do PSB ao governo, Márcio Lacerda, pode ter uma aproximação com os pedetistas por ter sido secretário-executivo de Ciro Gomes no Ministério da Integração Nacional. No Ceará, Ciro terá o palanque duplo — ou triplo — do petista Camilo Santana. E no Maranhão, conta com a simpatia de Flávio Dino (PCdoB), atual governador, mas que tem a correligionária Manuela D’Ávila como pré-candidata e ainda uma proximidade com o PT.

Esse cenário ainda tem três elementos a serem considerados. O primeiro deles é que o segundo colocado nas pesquisas, o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), tem viajado o país com apoio popular mas ainda não viabilizou um palanque próprio. Há ainda o suspense em torno das possíveis candidaturas do presidente Michel Temer — cada vez mais tentado a buscar a reeleição — e do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, que poderá se filiar ao PSB ao longo desta semana.



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