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Correio Braziliense

Opinião: muito mais luz sobre a covardia

Há pelo menos oito anos, tendo como marco o início da campanha de 2010, sofremos os efeitos dos ataques covardes de mercenários das notícias falsas à democracia


postado em 26/03/2018 10:42

O professor Sílvio Meira, do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Escola de Direito da FGV, diz que a maior de todas as guerras é a manipulação das redes sociais. Há pelo menos oito anos, tendo como marco o início da campanha de 2010, sofremos os efeitos dos ataques covardes de mercenários das notícias falsas à democracia.

Naquele período ainda não existia o termo fake news, mas é possível estabelecer parâmetros específicos do início da guerra, que a cada dia ganha mais contornos, ameaçando as eleições de outubro deste ano. De 2010 para cá, os ataques voltaram a ocorrer nas eleições de 2014, no impeachment de 2016, na greve da polícia no Espírito Santo — em janeiro do ano passado — e chegaram com força depois da execução da vereadora Marielle Franco, do PSol.

A ação de fake news contra a memória de Marielle foi política, uma tentativa covarde de ampliar preconceitos e desmobilizar reações da sociedade para um assassinato que até hoje não tem uma única pista, além das imagens de carros que supostamente levavam os autores do crime. Em meio à comoção, as redes foram invadidas por mentiras vindas de grupos reacionários. Ali, entrou uma desembargadora e o deputado Alberto Fraga, aqui do Distrito Federal. Mas também apareceu entre os disseminadores das mentiras o movimento de direita MBL, que estimula ódios e preconceitos nas redes.

Levantamento

Estudo feito pela Associação dos Especialistas em Políticas Públicas de São Paulo (Aeppsp), a partir de critérios de gente da Universidade de São Paulo (USP), mostrou que o site que mais dissemina fake news no país é um tal de Cetecismo Político. Nos últimos dias, a página do grupo reacionário foi retirada do ar pelo Facebook por trazer notícias falsas sobre Marielle, viralizadas pelo MBL, que começou a ser conhecido dos brasileiros durante o impeachment de Dilma Rousseff. Reportagem do jornal O Globo, do último sábado, mostra que os integrantes dessas turmas teriam ligações com os perfis. A Polícia Civil do Rio de Janeiro promete investigar as notícias falsas contra Marielle. Melhor assim. Quanto mais luz for jogada sobre quem atua nesse ramo sujo da política, melhor.

Justiça

Em 12 de abril, o Centro de Estudos Judiciários, do Conselho da Justiça Federal, promove um workshop sobre métodos alternativos de soluções pacíficas de conflitos. O evento ocorrerá na auditoria do Conselho de Justiça Federal e será coordenado por Sandra Silvestre, juíza em auxílio na corregedoria-geral do CNJ, e Aline Mota, assessora da vice-presidência do STJ.

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