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Correio Braziliense

Opinião: Corrupção ambidestra


postado em 28/03/2018 14:06

Os desdobramentos da Operação Lava-Jato não deixam dúvidas de que o Brasil está mergulhado em corrupção até o pescoço, se é que não afundou abaixo da camada pré-sal (só para manter a relação com o petrolão). Mas também está claro que não é de hoje. Basta ler livros críticos de História do Brasil para perceber que o país foi forjado com base em fundamentos pouco éticos, a exemplo do que aconteceu com os habitantes nativos. Não é de orgulhar a forma como nossos índios foram dizimados, e até hoje o são, para terem suas terras tomadas em nome do vil metal.

Sem qualquer pudor, até hoje, os representantes desta quase-nação governam para defender interesses próprios e particulares, envolvendo, numa teia perversa, setores públicos e privados, aconchavados para sugar todas as riquezas e deixar à míngua quem delas depende. Se faz necessário relacionar a corrupção com todas as mazelas deste país, sobretudo, a falta de saúde, a educação precária e a inexistência de um sistema eficaz de segurança pública. Os recursos para investir nos serviços à população são drenados pela corrupção, governo após governo, não importa a cor partidária.

Não à toa, assistimos a verdadeiras guerrilhas urbanas nos grandes centros. A batalha campal não está restrita às favelas do Rio de Janeiro. Ceará, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul, São Paulo, tantos estados sitiados pela bandidagem e pela polícia inepta ou corrupta. Ou as duas coisas. No entanto, em vez de combatermos e arrancarmos o mal pela raiz, extraindo de vez a corrupção endêmica, preferimos ficar discutindo quem roubou mais ou menos, quem fez este ou aquele governo melhor “apesar da roubalheira”.

Essa discussão entre direita e esquerda é tão acalorada quanto inútil, porque — parafraseando meu estimado colega Rafael Martini — “a corrupção é ambidestra no Brasil”. Um pouco de memória, para evitar a reeleição dos suspeitos de corrupção, ou a ajuda do Judiciário, na imposição do cumprimento da Lei da Ficha Limpa, representariam um bom começo.

Enquanto não se vislumbra saída para nenhum dos lados, num país onde a corrupção infelizmente é regra, e não exceção, é preciso buscar novas lideranças e apostar na educação para formar cidadãos-candidatos com vontade de fazer diferente para vencer o tal mecanismo.

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