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Correio Braziliense

Presidenciáveis rechaçam ataque à caravana do ex-presidente Lula

A partir de discursos semelhantes, presidenciáveis afirmam que os tiros à caravana do ex-presidente Lula são ataque à democracia e temem mais violência. Alckmin recua sobre declaração de terça-feira e Bolsonaro sobe tom


postado em 29/03/2018 06:00 / atualizado em 29/03/2018 00:12

Lula ontem em Curitiba: tom de adversários na corrida presidencial foi firme em defesa da democracia e da apuração para descobrir os responsáveis(foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)
Lula ontem em Curitiba: tom de adversários na corrida presidencial foi firme em defesa da democracia e da apuração para descobrir os responsáveis (foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)


Os tiros disparados na terça-feira contra dois ônibus da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Paraná, atingiram também a expectativa de um debate qualificado nas eleições deste ano. Na visão de especialistas e de boa parte dos pré-candidatos à Presidência da República. O entendimento é que a situação abre precedente e acende o alerta para que as lideranças de todo o espectro político tomem posição e se unam em discurso coerente para coibir outros ataques.

O presidente Michel Temer disse ontem, no Twitter, “lamentar o que aconteceu com a caravana do ex-presidente Lula” e defendeu que “essa onda de violência, esse clima de ‘uns contra outros’ não pode continuar”. Também na rede social, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, compartilhou a percepção de que se trata de “um atentado contra a liberdade de expressão de um líder político”, o que ele considera “inadmissível numa democracia”.

Após o ataque, o pré-candidato à Presidência pelo PSol, Guilherme Boulos, ressaltou que o momento atual é “de unidade democrática e de resistência ativa”. Com esse mote, ele e Manuela D’Ávila, que concorre à faixa presidencial pelo PCdoB, se uniram ontem, em Curitiba, para o encerramento da caravana de Lula pelo Sul. A situação “assumiu a feição de atentado político, de emboscada”, considerou Manuela. Ciro Gomes (PDT), ex-governador do Ceará, reforçou a necessidade de que o “ataque criminoso à caravana” seja investigado com rigor”.

O tom do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi igualmente firme ao classificar o ato como “gravíssimo” — mesmo adjetivo usado por Boulos, apesar das diferenças ideológicas dos dois, que ficam em pontos completamente opostos na arena política. Além dos tiros, Maia repudiou o fato de a caravana de Lula ter sido bloqueada e atacada por manifestantes ao longo da passagem pelo Sul. Na opinião do presidente da Câmara, os tiros disparados contra o ônibus foram “o ponto final de alguns dias de absurdos, uma tentativa de inviabilizar a mobilização do ex-presidente”.

A pré-candidata da Rede, Marina Silva, também classificou “o uso da violência com motivações políticas” como “uma afronta ao regime democrático”, enquanto o senador Cristovam Buarque (PPS) pontuou que “esse comportamento leva a mais violência, que pode inviabilizar o processo eleitoral”. O tucano Geraldo Alckmin, depois de ter dito, na terça-feira, que os petistas estavam “colhendo o que plantaram”, tentou se retratar ontem ao afirmar que “toda violência deve ser condenada” e que “é papel das autoridades apurar e punir os tiros contra a caravana do PT”. Isso, de certa forma, tem sido feito. O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), destoou dos demais: “Lula quis transformar o Brasil num galinheiro e, agora, está colhendo os ovos”.

Apesar de observar sintomas de um processo “cada vez mais crítico de polarização no cenário político”, o cientista político Geraldo Tadeu, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), afirmou ser um “bom sinal” o fato de a esquerda e a direita terem se posicionado no sentido de rechaçar o ato. “Neste momento, cabe às lideranças políticas baixarem o tom, mostrarem responsabilidade e dizerem que o caminho não é esse”, acredita.

Investigação


A Polícia Civil do Paraná abriu inquérito para descobrir de onde partiu e quem são os autores dos disparos que atingiram os veículos da comitiva do ex-presidente Lula. O caso é investigado inicialmente como “disparo de arma de fogo com dano provocado”. O responsável pelas diligências é o delegado Helder Lauria, da Delegacia de Laranjeiras do Sul. Policiais do Centro de Operações Policiais Especiais, grupo de elite da Polícia Civil, estão colhendo novas provas sobre o ataque.

O Instituto de Criminalística do Paraná está finalizando o laudo de perícia e o documento deve ficar pronto nos próximos dias. A polícia já recebeu diversas denúncias que apontam suspeitos de terem efetuado os disparos. O Coletivo Advogados e Advogadas pela Democracia (CAAD), que reúne juristas de todo o país, entregou ao Ministério Público um dossiê com mensagens em redes sociais em que algumas pessoas combinam os ataques à comitiva do ex-presidente.

De acordo com o documento entregue ao MP pelos advogados, um grupo de WhatsApp foi criado no Paraná com o objetivo de promover ataques contra a comitiva do ex-presidente Lula. Entre os objetivos, estaria o de atirar nos pneus dos coletivos, para impedir o deslocamento dos veículos. “Trata-se de vídeos com cenas de apedrejamento, fogo e obstrução nas estradas para impedir a passagem da caravana, fotos de postagens com ameaças de morte a Lula, crimes de lesões corporais contra militantes, cerceamento do direito de ir e vir de Lula e de militantes, injúrias e postagens criminosas em grupos de WhatsApp”, destaca um trecho da denúncia.

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