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Correio Braziliense

Após ataques a ônibus e a Fachin, ministro alerta para ameaça à democracia

Para Sérgio Sá Leitão, ataques ao comboio do ex-presidente Lula e à família do ministro Edson Fachin são um sinal de que o processo democrático brasileiro precisa se consolidar


postado em 30/03/2018 06:00

Polícia Civil do Paraná aguarda perícia para saber a quantidade de tiros e a distância dos disparos(foto: Reprodução/Internet)
Polícia Civil do Paraná aguarda perícia para saber a quantidade de tiros e a distância dos disparos (foto: Reprodução/Internet)

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, classificou como “ataques à democracia” os tiros contra ônibus da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Paraná e as ameaças relatadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin. Segundo Leitão, o cenário é resultado do processo ainda em consolidação da democracia no país. “O que aconteceu na caravana do ex-presidente Lula e as ameaças ao ministro são ameaças à democracia, colocam em xeque a democracia”, disse o ministro ontem, em São Paulo.

O titular da Cultura afirmou que o Estado de direito precisa responder aos episódios adequadamente. O ministro participou de cerimônia na capital paulista para relançamento do programa Pontos de Cultura, que oferece incentivo financeiro a grupos culturais. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirmou ontem que percebeu que os ônibus da caravana do ex-presidente Lula, alvo de três tiros na tarde de terça-feira, no interior do Paraná, fizeram uma parada na BR-277, próximo à Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em Laranjeiras do Sul, mas admtiu que não sabe o motivo.

Conforme testemunhas, os veículos pararam para averiguar um pneu furado. Durante essa parada, ainda conforme as testemunhas, os passageiros perceberam as marcas dos tiros. Ninguém ficou ferido durante os disparos. Em relatório feito pela PRF na quarta-feira (28), não consta o momento descrito pelas testemunhas da parada da comitiva.

A PRF afirmou que os policiais que acompanharam o comboio notaram que houve uma parada da comitiva, a cerca de dois quilômetros da entrada da universidade em que Lula faria uma palestra. Porém, acrescentou que a equipe permaneceu a cerca de 200 metros e não avaliou que essa parada tenha sido causada por um motivo relevante. Por isso, nada a respeito desse momento específico do trajeto foi descrito no relatório.

Em coletiva de imprensa realizada na manhã de ontem, o presidente do PT no Paraná, dr. Rosinha, disse que não visualizou os veículos da PRF. A corporação diz que o veículo estava à paisana.

A Polícia Civil espera o resultado da perícia feita nos ônibus para saber quantos disparos exatamemente atingiram os veículos, e que distância partiram e o calibre da arma. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR), o laudo deve ficar pronto na semana que vem. A Secretaria de Segurança Pública também informou que a polícia está fazendo diligências em um trecho de aproximadamente 70 quilômetros entre Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul.

O pré-candidato do PSDB ao Planalto, Geraldo Alckmin, continua se enrolando nas declarações em relação aos ataques a tiros contra dois dos três ônibus que formavam a caravana do ex-presidente Lula no Sul. Ao explicar ontem por que mudou de posição em relação aos tiros que atingiram a caravana, Alckmin disse que não sabia do ataque com disparos quando comentou que o PT “colhe o que planta”.

Após a declaração, na terça-feira, 27, que repercutiu negativamente, o tucano condenou o ataque ontem. O governador alegou que não se referiu aos tiros na primeira afirmação. “Naquele momento, nem tinha informação de tiro. Fui perguntado e entendi que era a caravana do Lula e coloquei que o PT sempre promoveu essa divisão de nós contra eles”, disse em entrevista coletiva nessa quinta-feira. Ele relatou também que não havia lido notícias sobre o caso quando fez a declaração. “Não tem nada a ver com tiro, a pergunta que me foi feita era sobre caravana.”

“Quando me falaram do tiro, eu disse que violência é inaceitável e quero reiterar isso”, reforçou. O tucano afirmou que política se faz com debate de propostas e que o episódio envolvendo os ônibus que acompanhavam Lula é um crime. “Tenho certeza de que esses criminosos serão apontados e vão ser punidos exemplarmente.”

 

Pré-candidato do PSL voltou a defender o uso de arma de fogo por civis(foto: Ana Pozzi/Photo Press/Folhapress)
Pré-candidato do PSL voltou a defender o uso de arma de fogo por civis (foto: Ana Pozzi/Photo Press/Folhapress)

Bolsonaro ataca Lula e Temer

O deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), pré-candidato à Presidência, defendeu ontem as investigações relativas ao decreto dos Portos, que atinge diretamente o presidente Michel Temer.  “Elas têm de ir fundo. Quem deve tem que pagar. O Brasil tem que ficar livre da chaga da corrupção, não interessa quem seja o autor ou o acusado”, afirmou, ao ser questionado sobre a operação que resultou na prisão preventiva de pessoas próximas a Temer.

Ao participar de um almoço de adesão à sua candidatura, em Curitiba, Bolsonaro voltou a comentar os disparos contra os ônibus que faziam parte da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Paraná, na última terça-feira. Um dia depois de ter afirmado que o ato pode ter sido uma simulação de petistas para se autovitimizar, o deputado disse que “pode estar errado”, mas que essa seria sua “convicção”. “Isso aí foi uma armação deles. Tentaram se vitimizar e botar a culpa do seu insucesso nos outros”, reforçou.

Bolsonaro não quis reconhecer que essa poderia ser uma declaração precipitada, já que a própria polícia não divulgou o resultado da perícia nos veículos. “Nada a ver. É minha convicção. Eu suspeito disso. Posso estar errado”.  A declaração de Bolsonaro foi dada dois dias depois de ônibus da comitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presidenciável pelo PT, terem sido atingidos por disparos durante a caravana que o petista fez pelo Sul do país, encerrada ontem em Curitiba. Em discurso, ontem, os pré-candidatos Guilherme Boulos (PSol) e Manuela D’Àvila (PCdoB) responsabilizaram Bolsonaro por incitar atos violentos como o atentado à comitiva de Lula.

O almoço contou com a presença de cerca de 2 mil apoiadores, muitos deles armados e fardados. Muito à vontade entre seus seguidores, o deputado fluminense fez mais uma vez apologia ao uso de armamento de fogo, inclusive por civis. “Da próxima vez, quero ver 200 pessoas armadas aqui dentro”, disse ele, sob aplausos.

“A arma, mais que a defesa da vida, é a garantia da nossa liberdade”, justificou, acompanhado dos deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) e Fernando Francischini (PSL-PR), além do ator Alexandre Frota –  já anunciado pelo pré-candidato como seu ministro da Cultura, caso seja eleito. Durante o evento, no qual cada presente pagou R$ 45 para participar, o presidenciável recebeu de presente um boneco com sua imagem, com faixa presidencial e fuzil nas mãos.

Eduardo Bolsonaro reforçou o tom bélico. “Presidente tem que meter bala em vagabundo e não formar quadrilha com eles”, declarou. Sentado na primeira mesa em frente ao palco, com duas armas na cintura, camisa camuflada e boina do exército, coronel Mário Sérgio Bradock, policial federal aposentado, aplaudia. “É inerente do ser humano andar armado. Se alguém está armado, eu tenho que estar também. Tem que nivelar”, disse. “Se vier um cara de dois metros de altura me atacar, eu, que sou baixinho, vou me defender como?”, questionou. 

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