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Correio Braziliense

"Vivemos tempos de intolerância e de intransigência", diz Cármen Lúcia

Ministra fará pronunciamento na noite desta segunda-feira (02) solicitando "serenidade e tolerância" no país


postado em 02/04/2018 16:45 / atualizado em 02/04/2018 17:28

(foto: AFP / EVARISTO SA)
(foto: AFP / EVARISTO SA)

 
Em um pronunciamento que vai ao ar na noite desta segunda-feira (04), na TV Justiça, a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), vai pedir “serenidade” ao país. Na gravação, que foi realizada durante a tarde, a ministra afirma que “vivemos tempos de intolerância e intransigência contra pessoas e instituições”. Cármen Lúcia diz que é necessário garantir que “diferenças ideológicas não se tornem desordem social”.

O texto do pronunciamento foi divulgado previamente pela assessoria de comunicação do STF. O discurso tem duração de 3 minutos e 18 segundos. Pouco antes de fazer a gravação, a ministra se reuniu com o diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, para discutir a segurança do Supremo na próxima quarta-feira (04), dia em que será julgado o habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista tenta obter autorização para responder em liberdade ao processo relacionado ao triplex do Guarujá, em São Paulo.

A magistrada fez referência aos ataques contra instituições públicas e magistrados. Na semana passada, o ministro Edson Fachin afirmou que está sendo alvo de ameaças, direcionadas para sua família. “Gerações de brasileiros ajudaram a construir uma sociedade, que se pretende livre, justa e solidária. Nela não podem persistir agravos e insultos contra pessoas e instituições pela só circunstância de se terem ideias e práticas próprias. Diferenças ideológicas não podem ser inimizades sociais. A liberdade democrática há de ser exercida sempre com respeito ao outro”, afirmou.

Veja a íntegra do pronunciamento que deve ir ao ar ás 18h30:

A democracia brasileira é fruto da luta de muitos. E fora da democracia não há respeito ao direito nem esperança de justiça e ética.

Vivemos tempos de intolerância e de intransigência contra pessoas e instituições.
Por isso mesmo, este é um tempo em que se há de pedir serenidade.

Serenidade para que as diferenças ideológicas não sejam fonte de desordem social.
Serenidade para se romper com o quadro de violência. Violência não é justiça. Violência é vingança e incivilidade.

Serenidade há de se pedir para que as pessoas possam expor suas ideias e posições, de forma legítima e pacífica.

Somos um povo, formamos uma nação. O fortalecimento da democracia brasileira depende da coesão cívica para a convivência tranquila de todos. Há que serem respeitadas opiniões diferentes.

Problemas resolvem-se com racionalidade, competência, equilíbrio e respeito aos direitos. Superam-se dificuldades fortalecendo-se os valores morais, sociais e jurídicos. Problemas resolvem-se garantindo-se a observância da Constituição, papel fundamental e conferido ao Poder Judiciário, que o vem cumprindo com rigor.

Gerações de brasileiros ajudaram a construir uma sociedade, que se pretende livre, justa e solidária. Nela não podem persistir agravos e insultos contra pessoas e instituições pela só circunstância de se terem ideias e práticas próprias. Diferenças ideológicas não podem ser inimizades sociais. A liberdade democrática há de ser exercida sempre com respeito ao outro.

A efetividade dos direitos conquistados pelos cidadãos brasileiros exige garantia de liberdade para exposição de ideias e posições plurais, algumas mesmo contrárias. Repito: há que se respeitar opiniões diferentes. O sentimento de brasilidade deve sobrepor-se a ressentimentos ou interesses que não sejam aqueles do bem comum a todos os brasileiros.

A República brasileira é construção dos seus cidadãos. A pátria merece respeito. O Brasil é cada cidadão a ser honrado em seus direitos, garantindo-se a integridade das instituições, responsável por assegurá-los.

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