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Correio Braziliense

"Meirelles está habilitado a ocupar qualquer cargo no país", diz Temer

Declaração do presidente da República em filiação do ministro da Fazenda ao MDB reforça a possibilidade de o auxiliar postular uma candidatura à Presidência. Definição do candidato do partido do governo, no entanto, deve sair apenas nos próximos meses


postado em 03/04/2018 13:19

A filiação de Meirelles do MDB reforça a expectativa de um palanque eleitoral seguro(foto: Nelson Almeida/AFO)
A filiação de Meirelles do MDB reforça a expectativa de um palanque eleitoral seguro (foto: Nelson Almeida/AFO)


O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se filiou no início da tarde desta terça-feira (3) ao MDB. E foi recebido calorosamente pelo presidente Michel Temer. O chefe do Executivo federal disse que o comandante da equipe econômica “está habilitado a ocupar qualquer cargo no país”. Uma sinalização que reforça a ideia de que o auxiliar, que abandona o cargo na sexta-feira (6), está bem cotado dentro do partido para pleitear uma candidatura à Presidência da República.

A definição do candidato do MDB para a disputa da Presidência, no entanto, deve sair apenas nos próximos meses. A confirmação será anunciada em agosto, na convenção partidária. Temer é, hoje, o principal postulante ao cargo, e não nega mais o desejo de se reeleger para defender o “legado” do governo. Entretanto, a alta rejeição do comandante do Palácio do Planalto junto aos eleitores e a possibilidade de a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar uma terceira denúncia contra ele, coloca em xeque a real possibilidade de ele ser o candidato. 

Diante disso, a filiação de Meirelles do MDB reforça a expectativa de um palanque eleitoral seguro. Com o comandante da Fazenda ou Temer, o partido terá nomes fortes para liderar uma candidatura governista. O novo filiado, no entanto, evita se posicionar como franco candidato. “Minha meta e meu objetivo é, exatamente, poder contribuir com o país, como já fiz em outras oportunidades. Agora, entrando no partido, vamos discutir quais os próximos passos e, evidentemente, qual exatamente a melhor composição partidária”, destacou o ministro. 

A definição entre Temer e Meirelles será tomada após análises de resultados de pesquisas qualitativas entre os pré-candidatos. Por isso, o chefe da Fazenda foi comedido em sustentar qualquer posicionamento entre quem será o candidato à Presidência. “Vamos aguardar. É um pouco cedo dentro do processo eleitoral este ano. O país está em retomada de crescimento, mas a sensação de bem estar social ainda não está totalmente estabelecida na sociedade”, disse. 

O MDB espera que, à medida em que os brasileiros assimilem a desaceleração da inflação, a queda dos juros, e alguma geração de empregos, a rejeição ao governo caia. Esse será o caminho para a definição do candidato do governo, explicou Meirelles. “É muito importante que aguardemos que esse crescimento econômico, do emprego, da renda, e permanência da inflação baixa aumente a sensação de bem estar e, mais tarde, isso se reflita nos índices eleitorais”, destacou. 

Mesmo sem garantias de que será o candidato do MDB, após abandonar a Fazenda, Meirelles não se mostrou preocupado com o tema. Temer, por sinal, disse, em discurso, que ele “não faz nada sem calcular”. O chefe do Executivo federal, no entanto, não deu muitos sinais dos próximos passos do partido no processo eleitoral. Optou por enaltecer o programa político da legenda, a “Ponte para o Futuro”, e a gestão do comandante da Fazenda. E finalizou dizendo que o auxiliar “fez uma coisa muito boa para o país e ótima para o partido”.
Filiações.

Além de Meirelles, dois deputados federais também se filiaram ao MDB: Beto Mansur (SP), vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, e Maria Helena Veronese (RR). A cerimônia foi aberta pelo presidente nacional do MDB, senador Romero Jucá (RR), e contou com a presença do presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (CE), o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e dos ministros-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, da Secretaria-Geral, Moreira Franco, e da Secretaria de Governo, Carlos Marun.

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