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Correio Braziliense

Procurador pede manifestação de ministro sobre declaração de Villas Bôas

As declarações de Villas Bôas tiveram repercussão por terem sido feitas um dia antes do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula


postado em 04/04/2018 21:13

(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
 
O procurador da República no Distrito Federal, Ivan Cláudio Marx, pediu hoje (4/4) que o ministro interino da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, se manifeste sobre as declarações do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, divulgadas na noite de ontem (3/4) no Twitter "em repúdio à impunidade". Em duas mensagens postadas na rede social, o general diz que a Constituição deve ser respeitada e que o Exército compartilha dos anseios da sociedade.

O procurador pede que o ministro da Defesa tenha “ciência e manifestação sobre eventual risco de função interventora das Forças Armadas”.

A reportagem entrou em contato com o Ministério da Defesa e aguarda posicionamento.

Na rede social, o comandante do Exército disse: "Asseguro à Nação que o Exército brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais. Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?".

As declarações de Villas Bôas tiveram repercussão por terem sido feitas um dia antes do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Na manhã de hoje, o ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que as declarações do comandante são de defesa do papel institucional das Forças Armadas, da legalidade e da serenidade. "As palavras do general Villas Bôas representam basicamente a defesa da institucionalidade, a defesa da Constituição e, sobretudo, a noção de que a regra do jogo é para ser cumprida e de que tem que ser aceita", disse Jungmann.

O Comando da Aeronáutica divulgou uma nota – assinada pelo comandante da Força, tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato – na qual afirma que integrantes das Forças Armadas devem acreditar nos poderes instituídos, não se deixando empolgar “a ponto de colocar convicções pessoais acima daquelas das instituições”.

A organização não governamental (ONG) Anistia Internacional condenou as declarações do comandante do Exército. Para a ONG, foi uma grave afronta à democracia. 

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