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Correio Braziliense

Após derrota no Supremo, PT tenta manter o discurso de que Lula é candidato

Parlamentares e líderes petistas afirmam que Lula permanece candidato a presidente, mas adversários o consideram carta fora do baralho


postado em 05/04/2018 06:00 / atualizado em 05/04/2018 01:07

Embora o HC tenha sido rejeitado pelo Supremo, a defesa do petista ainda pode apresentar um último recurso do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4)(foto: Mauro Pimentel/AFP)
Embora o HC tenha sido rejeitado pelo Supremo, a defesa do petista ainda pode apresentar um último recurso do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) (foto: Mauro Pimentel/AFP)


A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de negar o habeas corpus ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um duro golpe nas pretensões eleitorais petistas. Enquadrado na Lei da Ficha Limpa e com a possibilidade de ser preso cada vez maior, Lula preferiu ficar em silêncio ontem, mas o PT publicamente não desiste de colocá-lo na disputa das eleições presidenciais de outubro. Para os adversários políticos, no entanto, a candidatura do ex-presidente não tem condições de ser homologada até o fim do período de pré-candidatura, mesmo ele estando à frente das pesquisas.

“Nós vamos lutar politicamente e juridicamente para continuar com o Lula nas eleições”, comentou o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), após a decisão do STF. O deputado destacou que o partido ainda vai recorrer à Justiça “até o fim” para que o ex-presidente possa ter o direito de competir. Condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em janeiro deste ano, o ex-presidente enquadra-se nos critérios de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa e, portanto, estaria inviabilizado de concorrer ao cargo.

Por meio das redes sociais, no entanto, o líder do partido na Câmara, Paulo Pimenta (PR), mostrou-se indignado pelo resultado da votação e disse que ex-presidente será “nitidamente um preso político do golpe”. Ele também confirmou que a legenda vai continuar na disputa ao Planalto com o nome de Lula. “Não vão nos derrotar no grito ou nos tribunais”, afirmou. Outros parlamentares petistas também se manifestaram contra o resultado do julgamento da Suprema Corte. Entre eles, o senador Humberto Costa (PE), que também bateu na tecla de “seguir na luta”. “A construção de uma democracia sólida sofre sempre com a perseguição e a injustiça”, comentou. Logo após o voto da ministra Rosa Weber, considerado o voto decisivo do julgamento, ao negar o habeas corpus, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), afirmou no Twitter que não é hora de desistir. “Vamos acompanhar o julgamento até o final. Não desistimos. Por Lula e pelos milhões de brasileiros”, escreveu.

“Está impedido”


Os governistas, no entanto, não consideram mais Lula como um candidato viável nas eleições em outubro de 2018.  “O Lula já está impedido de competir pela Lei da Ficha Limpa. O caso do julgamento ontem era só para saber se ele poderia ser preso ou não. O que eu digo é: na questão eleitoral, ele está impedido”, garantiu o deputado Beto Mansur (MDB-SP), vice-líder do governo na Câmara, também logo após a decisão de Rosa Weber.

O deputado Fernando Francischini (PR), recém-filiado ao partido PSL, que tem como pré-candidato à presidência da República o deputado Jair Bolsonaro, deixou claro que a candidatura do partido não sofrerá nenhuma interferência de Lula. “Para o Bolsonaro, não afeta em nada já que ele tem uma campanha despregada da política tradicional e, sendo dessa forma, ele continua percorrendo o Brasil com palestras, independente dos candidatos de esquerda”, comentou. Bolsonaro esteve ontem no protesto na Esplanada contra o ex-presidente Lula. Tirou selfies e deu autógrafos.

Já o deputado Daniel Coelho (PPS-PE) disse que o placar do julgamento dá esperança ao país de que a lei é universal, já que, se o STF revogasse o entendimento geral sobre as prisões após a condenação em segunda instância, poderia haver uma possível reação nas ruas. “Se isso acontecer, a reação da população é imprevisível. Será uma revolta sem tamanho. Lula é admirado por um terço da população, mas odiado por dois terços. Se ficar a impressão de privilégio ou arrumadinho, o resto de respeito que o povo ainda tem às instituições acaba”, disse.

O líder do DEM, Rodrigo Garcia, no entanto, apesar de defender a punição ao ex-presidente, disse que o resultado pode causar uma insegurança jurídica, já que a ministra Cármen Lúcia não pautou primeiro as ações declaratórias de constitucionalidade (ADCs), impetradas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo PEN (Partido Ecológico Nacional), hoje Patriotas. “Agora, Lula pode ser preso a qualquer momento, mas ainda existe uma insegurança a esse tema, tendo em vista que existem questionamentos junto ao Supremo sobre a prisão em segunda instância. É importante para o país que o Supremo decida a questão de mérito o mais rápido possível”, opinou.

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