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Correio Braziliense

Equipe de reportagem do Correio é atacada em frente à sede da CUT

Enfurecidos, os agressores gritavam ofensas contra a imprensa, contra o jornal e em defesa do ex-presidente Lula, que teve a prisão decretada pelo juiz Sérgio Moro na noite desta quinta-feira (5/4)


postado em 05/04/2018 20:08 / atualizado em 06/04/2018 13:27

 
 
Uma repórter, uma fotógrafa e um motorista do Correio Braziliense foram agredidos no noite desta quinta-feira (5/4), em frente à sede da Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF), no Setor de Diversões Sul, no Plano Piloto. Pelo menos 30 manifestantes partiram para cima do carro do jornal, no qual estavam os profissionais, e quebraram um dos vidros do veículo. 

Enfurecidos, os agressores gritavam ofensas contra a imprensa, contra o jornal e em defesa do ex-presidente Lula, que teve a prisão decretada pelo juiz Sérgio Moro, com o aval do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) menos de 24 horas após o Supremo Tribunal Federal (STF) negar seu pedido de habeas corpus. Os manifestantes quebraram o vidro traseiro do carro do jornal com socos.
 
Ver galeria . 5 Fotos CB/D.A Press
(foto: CB/D.A Press )
 
 
A manifestação pró-Lula foi convocada pela CUT-DF, logo depois de o pedido de prisão de Lula se tornar público. O Correio repudia veementemente esse tipo de violência e de cerceamento à imprensa, cujo papel fundamental é o de informar a população.

Felizmente, tanto a repórter quanto a fotógrafa e o motorista do Correio não se feriram. O caso é investigado pela Coordenação de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado, aos Crimes contra a Administração Pública e aos Crimes contra a Ordem Tributária, chefiada pelo delegado Fernando César Costa, da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).  

 
Solidariedade 

 

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) repudiou o ataque às jornalistas do Correio. O diretor-executivo da entidade, Ricardo Pedreira, classificou o episódio como "lamentável". "Demonstra uma incompreensão do trabalho jornalístico. A gente espera que o caso seja apurado e sejam tomadas as medidas providências", afirmou.

 

Em nota, o editor-chefe do Jornal de Brasília, Jorge Eduardo Antunes, também se solidarizou à equipe de reportagem do Correio e criticou o ataque à liberdade de imprensa, bem como aos profissionais que foram alvo do atentado. "É inadmissível qualquer tentativa de cerceamento da liberdade de imprensa, bem como a agressão a profissionais em sua jornada de trabalho. A agressão fica ainda mais incompreensível por ser cometida contra trabalhadoras e nas proximidades de uma central cuja linha de luta é (ou deveria ser) a defesa dos trabalhadores. Que o Brasil tenha a tranquilidade para saber respeitar a atuação profissional dos trabalhadores em momentos de tensão como o atual", disse o jornalista.

 

O governador Rodrigo Rollemberg também se manifestou por meio de nota e disse que repudia "com toda veemência" qualquer tipo de violência ao trabalho da imprensa. "Me solidarizo com os jornalistas alvos de absurdas agressões na noite de ontem em Brasília. A democracia exige de todos nós respeito às decisões judiciais e a imprensa, que é um dos pilares de nosso regime democrático", afirmou.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF também considerou "inadmissível" que este tipo de agressão continue ocorrer no país, independente da corrente ideológica dos agressores. "Os trabalhadores da imprensa devem ser respeitados para garantia mínima da democracia no país. Jornalistas não são os responsáveis pelo caos generalizado do país. O Sindicato dos Jornalistas repudia, mais uma vez, quaisquer tipo de violência contra os profissionais."

 

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), também por meio de nota, repudiou a violência contra o Correio. "Trata-se de mais um atentado à liberdade de imprensa e à integridade física de jornalistas no cumprimento de sua missão de informar a população sobre os assuntos de interesse da sociedade, além de grave violação do direito de ir e vir em plena Capital da República. A ABI condena esses atos, exige a apuração do ocorrido e a punição dos agressores pelos autoridades responsáveis", disse o presidente da associação, Domingos Meirelles. 

 

A Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel) diz que “considera esse tipo de ato inadmissível e se posiciona sempre a favor da liberdade imprensa e de expressão, sem deixar de defender também a manifestação popular, desde que pacífica e ordenada (...) Mais do que isso, a Abratel entende que o respeito mútuo é essencial na construção de uma nação equilibrada e justa”. 

 

O Sindicato de Jornalista Profissionais do DF (SJPDF) considerou “inadmissível que este tipo de agressão contra trabalhadores da imprensa continue a ocorrer no país, independentemente da corrente ideológica dos envolvidos. Jornalistas devem ser respeitados para garantir a democracia no país e não podem ser responsabilizados pelas críticas à linha editorial e à cobertura dos veículos em que trabalham. Eles são trabalhadores como quaisquer outros e, por isso, merecem respeito”.

 

“As opiniões dos veículos de imprensa não devem ser confundidas com a liberdade do exercício profissional. Não aceitaremos intimidação, seja de militantes, forças de segurança, políticos ou do Judiciário, independententemente da matriz ideológica. Sem liberdade de expressão, não há plena democracia!”, concluiu em nota o SJPDF.

 

Pouco tempo depois de o Correio ser atacado, a equipe de reportagem do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) também foi alvo da fúria dos manifestantes. Os profissionais foram cercados em frente à CUT-DF e expulsos logo em seguida. "Vocês vão sair daqui para o bem de vocês", teria dito um dos manifestantes, na tentativa de impedir o cinegrafista de fazer qualquer imagem.

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