Publicidade

Correio Braziliense

Meirelles descarta ser candidato a vice, a governador ou a senador

Ministro da Fazenda renuncia para poder disputar apenas a Presidência, mas avisa que a definição da chapa do partido do governo ainda será analisada. Eduardo Guardia assumirá a pasta na semana que vem


postado em 06/04/2018 17:23

(foto: EVARISTO SA/CB/D.A Press)
(foto: EVARISTO SA/CB/D.A Press)

 
Depois de duas reuniões com o presidente Michel Temer nesta sexta-feira (06/04), o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou a sua renúncia ao cargo e que ele pretende candidatar somente à Presidência da República, sem o interesse de ser vice-presidente ou candidato a governador de estado ou a de senador.

O anúncio ocorre na véspera do vencimento do prazo para a desincompatibilização do ministro para concorrer a um cargo eletivo, que é determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Eu vou analisar a possibilidade de uma candidatura à Presidência. Vou iniciar esse processo com atenção e seriedade devida. Não pretendo ser candidato a vice e não há menor possibilidade de ser candidato a governador ou a senador”, afirmou. “Estou analisando uma candidatura a presidente (da República)”, emendou. Ele evitou explicar o que fará se não conseguir apoio do partido para ser o cabeça de chapa do MDB.

De acordo com o ministro, ele tomou a decisão de renunciar, nesta sexta-feira (6/4), e a comunicou ao presidente pessoalmente. O atual secretário-executivo, Eduardo Guardia, assumirá o cargo por indicação feita por Meirelles e acatada pelo presidente Temer. Segundo o ministro, Guardia  "continuará com a missão de fazer com que o país volte a crescer".

Na terça-feira (3/4), o Meirelles deixou o PSD e se filiou ao MDB, partido do presidente Temer, que passa a ter dois candidatos ao Palácio do Planalto. O presidente Temer participou da cerimônia de filiação. Apesar de o chefe do Executivo também ter sinalizado interesse em se candidatar e ambos terem índices de aprovação baixa nas pesquisas, o ministro disse que a chama da legenda ainda não está definida. O prazo para o registro das candidaturas para as eleições de outubro vai até 15 de agosto.

“Vou contemplar a viabilidade de ser candidato com o partido e com outros agentes da sociedade. E o mesmo fará o presidente, que também declarou sua candidatura. Vamos analisar no devido tempo. Neste momento, vou entrar nesses processos de avaliação”, disse Meirelles a jornalistas na tarde desta sexta-feira. A posse do novo ministro da Fazenda deverá ocorrer na próxima terça-feira (10/04).

Meirelles reforçou que aceitou o convite do presidente Temer para assumir a pasta em maio de 2016, após o afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff, em uma “das  maiores crises que o país viveu” porque sempre se coloca ao serviço do país quando é necessário. “Tenho bastante orgulho de ter ajudado o país a ter saído de crises importantes e sérias em dois momentos diferentes”, afirmou. Para ele, a recessão que país mergulhou entre 2015 e 2016 foi herança de medidas equivocadas do governo anterior. Coincidentemente, o ministro foi presidente do Banco Central durante os dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ou seja, participou do governo petista e agora faz parte do atual governo.

Meirelles evitou fazer críticas a Lula, cuja prisão foi decretada pelo juiz Sergio Moro, e reforçou que a recessão de 2015 e 2016 foi gerada durante o governo Dilma e classificou a crise como “filho legítimo da irresponsabilidade fiscal e da falta de respeito com os pagadores de impostos do governo anterior”. Ele citou os dados de recuperação da economia após a troca de governo com o impeachment de Dilma. “Tivemos coragem de submeter o Brasil a uma agenda correta. Os resultados estão aí. A inflação nunca foi tão baixa e (hoje) é a mais baixa da história”, afirmou.

Em relação a ter participado do governo Lula, ele destacou que, enquanto esteve à frente do BC, a autoridade monetária teve uma independência concordada com o presidente Lula e que foi respeitada durante toda a sua gestão e que produziram resultados positivos e ele espera que os eleitores se lembrem disso. “A taxa média (de crescimento econômico do país) foi substancial ao redor de 4% e que terminou o mandato em 7,5%. Foi um período sim de grande crescimento”, completou.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade