Publicidade

Correio Braziliense

PGR em crise: procuradores criticam presidente de Associação Nacional

Em carta de protesto, 47 procuradores da República fazem críticas à gestão de José Robalinho Cavalcanti na Associação Nacional dos Procuradores da República


postado em 10/04/2018 23:42 / atualizado em 11/04/2018 11:27

(foto: ANPR/Divulgacao)
(foto: ANPR/Divulgacao)


Uma carta de protesto foi enviada aos membros do Ministério Público Federal (MPF) criticando o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti. O documento é uma "resposta" da categoria à nota de repúdio enviada Robalinho às declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os procuradores e juízes da Lava-Jato, as quais o presidente da ANPR chamou de "fantasiosas e irresponsáveis".

O documento é assinado por 47 procuradores da República, entre os quais estão os três ex-presidentes da entidade: Álvaro Augusto Ribeiro da Costa, Ela Wiecko Castilho e Antônio Carlos Alpino Bigonha. Segundo o documento, a ANPR "alimenta a divisão da sociedade brasileira em um momento tão delicado da sociedade ao repudiar compreensível manifestação do cidadão submetido ao cárcere sob enorme comoção popular". 

Além de criticar o presidente da ANPR, a carta dos colegas também questiona sua autoridade de falar individualmente em nome da associação, pedindo que, das próximas vezes, as manifestações de Robalinho sejam submetidas ao Colégio de Delegados. Uma reação inédita dentro do Ministério Público Federal (MPF).

Em resposta, Robalinho enviou um ofício afirmando que "diante do posicionamento dos colegas a respeito da manifestação da ANPR, a associação esclarece que representa 1,3 mil membros do Ministério público e que respeita as divergências de pensamento". O documento também afirma que "a ANPR sempre primou pela participação ativa nos debates nacionais e ajudou a construir um MP pós-constituinte" e diz, por fim, que "nunca há unanimidade".
 
O ofício lembra que “a Diretoria da ANPR tem trabalhado firmemente contra a divisão da sociedade e pela tolerância e maturidade. Uma semana antes da emissão da nota pelos senhores missivistas contestada, houve um ataque à caravana que apoiava o ex-presidente Lula, no mesmo dia em que um Ministro do Supremo Tribunal Federal tornava publico estar sua família recebendo ameaças. A ANPR de imediato pronunciou-se, protestando e, salvo crasso engano – mas isso é constatável facilmente na internet –, foi a ÚNICA associação de magistrados ou de profissionais da Justiça do País a se pronunciar em solidariedade”.
 
No último sábado (7/4), após a prisão de Lula, José Robalinho disse que o ex-presidente buscou "inverter os papéis e se vender como um perseguido político" antes de entregar-se à Polícia Federal e ser mandado para Curitiba.

Não é a primeira vez que Robalinho emite opiniões fortes em cartas assinadas pela ANPR. Em dezembro do ano passado, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes mandou soltar o empresário carioca Jacob Barata Filho pela terceira vez, a associação criticou "a desenvoltura" com que ele se envolve em assuntos "fora dos autos". Também questionou a imparcialidade do ministro para atuar nos processos da Operação Ponto Final, desdobramento da Lava-Jato no Rio de Janeiro.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade