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Correio Braziliense

Entre a ironia e a cobrança, Bolsonaro e Manuela D'Ávila reagem a revelação

Os pré-candidatos à presidência da República comentam os documentos norte-americanos que mostram envolvimento do Palácio com execuções políticas na época da ditadura


postado em 12/05/2018 07:00 / atualizado em 12/05/2018 15:37

Bolsonaro sobre a repressão:
Bolsonaro sobre a repressão: "Quem nunca deu um tapa no bumbum do filho e depois se arrependeu? Acontece" (foto: Apu Gomes/AFP - 10/8/17)

A divulgação de documentos norte-americanos que mostram que o general Ernesto Geisel autorizou a continuidade da política de “execução sumária”, instituída no país durante o regime militar, entrou no radar de candidatos ao Palácio do Planalto. O candidato do PSL, o militar da reserva Jair Bolsonaro (RJ), comparou as informações sobre assassinatos de inimigos políticos durante a ditadura com as palmadas que os pais dão nos filhos durante a infância.

“Quem nunca deu um tapa no bumbum do filho e depois se arrependeu? Acontece”, disse o deputado federal a uma rádio de Belo Horizonte. Bolsonaro explicou ainda o que acha que ocorreu para que o documento tenha sido produzido. “Talvez o cara tenha ouvido uma conversa atravessada, fez o relatório e mandou. Em seguida, citou matéria publicada na imprensa sobre mortes ocorridas de militantes políticos e militares durante a ditadura. O momento era outro. Ou a gente botava para quebrar, ou o Brasil estava perdido.”
 
Manuela cobrou mais esclarecimentos:
Manuela cobrou mais esclarecimentos: "Insistir na busca da verdade" (foto: Mauro Pimentel/AFP)
 
 

Paradeiro


“Ainda que assombrosa e repugnante, não traz nenhuma surpresa a notícia de que a execução de centenas de presos políticos teve o respaldo da Presidência durante a ditadura. Como é típico dos regimes autoritários, a violência e as atrocidades não têm como ocorrer sem a participação daqueles que estão no primeiro escalão”, disse Marina Silva (Rede), em sua conta no Twitter.

Na mesma rede social, a candidata do PCdoB ao Planalto, Manuela D’Ávila, afirmou que os documentos revelados perturbam todos que têm “uma história de luta pela memória e a verdade dos tenebrosos anos da ditadura militar”. “As provas de que a cúpula do regime — Médici, Geisel, Figueiredo — esteve diretamente envolvida nos assassinatos dos ‘subversivos’ que ousaram desafiar o regime é uma verdade grande demais para seguir encoberta”, escreveu.

Manuela completou dizendo que “precisamos insistir na busca da verdade e do paradeiro daqueles que foram torturados, mortos e desaparecidos com a autorização e a cumplicidade do Palácio do Planalto”. As declarações de todos os presidenciáveis receberam mensagens de apoio e de repúdio nas redes sociais. As de Bolsonaro — que não falou sobre o assunto na internet — foram majoritariamente negativas. (BB e GV)

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