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Greve leva várias cidades a decretarem estado de emergência

Além disso, onze universidades públicas suspenderam as aulas, ABPA calcula perda de mais de 20 bilhões de animais e escoamento da safra de soja e etanol está prejudicado

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 26/05/2018 08:00

Em várias cidades, o movimento dos caminhoneiros teve a adesão de motoristas de vans escolares

A expectativa de que com a proposta de acordo oferecida pelo governo os caminhoneiros retornassem ao trabalho se frustrou nas primeiras horas da manhã de ontem. No quinto dia de paralisação, o caos tomou conta do país. Ontem, além dos caminhões parados, motoristas de vans e motociclistas apoiaram o movimento.

Um balanço da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) apontou que no fim da trade havia 550 pontos interditados pelas 25 unidades da Federação, um aumento de mais de 10% em relação ao dia anterior. Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina foram os estados que mais tiveram trechos interrompidos. Dado não confirmado pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, que, em entrevista, afirmou a liberação de 45% dos bloqueios.

Independentemente do que foi conseguido depois da assinatura do decreto que autoriza a atuação do Exército em Garantia da Lei e da Ordem (GLO), a sexta-feira foi difícil nos quatro cantos do país. Por conta do desabastecimento de produtos básicos à população, algumas prefeituras de Minas Gerais e de São Paulo decretaram estado de emergência. Na capital paulista, por falta de combustível, apenas 50% da frota estava rodando, e a coleta de lixo foi suspensa. Guarulhos (SP), Campinas e Botucatu também estão em situação de emergência.A situação no Vale do Mucuri, em Teófilo Otoni (MG) ficou tão difícil, que o prefeito decretou estado de calamidade pública.

Para evitar o desabastecimento de farmácias de São Paulo e do Rio, a entrega dos insumos foi feita por vans. Cerca de 34 usinas de açúcar e etanol de Minas Gerais estão sem comercializar o biocombustível e com dificuldades para o escoamento de açúcar. O escoamento da safra de soja está prejudicada.

A Confederação Nacional de Saúde (CNS) informou, em nota, que hospitais já sofrem ;falta de gás medicinal, material anestésico, medicamentos, insumos para tratamento de água, entre outros produtos vitais para a manutenção dos serviços, bem como para a segurança dos pacientes;. A entidade afirma ainda que ;não se opõe à nenhuma manifestação;, mas pediu aos caminhoneiros que liberassem os veículos que transportam materiais médicos.

Motoristas em Mato Grosso do Sul, para contornar a falta de combustível, atravessam a fronteira para abastecer no Paraguai. Em São José dos Campos, uma noiva cancelou a festa de casamento que aconteceria hoje, após fornecedores ficarem presos na estrada por causa dos protestos. Além do buffet, convidados cancelaram a presença por falta de combustível para comparecer à festa.

Pela dificuldade dos alunos e professores de chegarem até ao campus, ao menos 11 universidades públicas suspenderam parcial ou totalmente as atividades acadêmicas. É o caso das universidades federais de Pernambuco (UFPE), Rural de Pernambuco (UFRPE), Lavras (UFLA), do Triângulo Mineiro (UFTM), São João Del-Rei (UFSJ), Sergipe (UFS), Grande Dourados (UFGD), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Na UnB, houve a solicitação para que fosse flexibilizada a verificação de frequência e que se evite a realização de atividades de avaliação dos estudantes.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) previu prejuízos de 1 bilhão de aves e 20 milhões de suínos com a falta de ração nas unidades produtivas. A associação, ainda, afirma que os produtores que contam com estoques estão fracionando para prolongar ao máximo a oferta do alimento.

Greve surgiu pelo WhatsApp

A greve dos caminhoneiros é resultado de discussões sobre as condições de trabalho ruins em diferentes grupos do WhatsApp. De acordo com caminhoneiros, os grupos de conversas eram utilizados para organização e divisão dos transportes, além de troca de informações sobre a situação das estradas. Segundo Alexandre Aparício, o movimento surgiu de forma descentralizada com os próprios motoristas autônomos. ;Os sindicatos embarcaram na nossa. Começamos a greve e eles nos apoiaram depois;, disse o motorista que está parado na BR 101, em Santa Catarina. Jaisom Dreher, que está na rodovia Fernão Dias, em Minas Gerais, reforça que não houve uma composição oficial para os protestos, mas que a causa contagiou a todos. ;Não teve uma organização central. Fomos nos falando por WhatsApp e aconteceu.;

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