Publicidade

Correio Braziliense

Marina Silva e quatro ex-ministros repudiam novo presidente do ICMBio

Além da pré-candidata à presidência, assinam o documento Carlos Minc, Izabela Teixeira, José Carlos Carvalho e José Goldenberg


postado em 27/05/2018 11:46 / atualizado em 27/05/2018 13:22

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
A candidata à Presidência da República Marina Silva e outros quatro ex-ministros do Meio Ambiente enviaram carta ao presidente Michel Temer repudiando a indicação de um apadrinhado político para a vaga de presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Eles querem que Temer reconsidere a nomeação de Cairo Tavares, 31 anos, considerada uma barganha política. Neste domingo (27/5), servidores do Instituto fecharam o Parque Nacional de Brasília, onde fica a Água Mineral, em protesto.

O documento é assinado, além de Marina, por Carlos Minc, Izabela Teixeira, José Carlos Carvalho e José Goldenberg. Em um dos trechos, os ex-ministros afirmam que "o ICMBio cuida do patrimônio (natural do país) com recursos materiais e humanos escassos, amparado na dedicação e na competência de seus quadros. Jamais, nesses 12 anos, a presidência do Instituto foi ocupada por pessoas estranhas à agenda da conservação. Seria trágico se isso acontecesse agora". 

Não há nenhuma movimentação política na peça, assinada neste domingo, segundo os ministros. "Esta carta é assinada por pessoas de linhas partidárias e posições políticas e ideológicas distintas. O que nos une é o entendimento de que proteção ambiental é uma política de Estado indissociável das outras dimensões econômicas, sociais e culturais que compõem nossa identidade e nosso potencial de crescimento sustentável." 

Cairo Tavares, 31 anos, é assessor legislativo do Partido Republicano da Ordem Social (Pros) na Câmara dos Deputados. Ele teria sido indicado ao cargo pelo presidente da legenda, Eurípedes Junior, investigado pela Lava-Jato por recebimento de propina. A movimentação é tratada pelos servidores do ICMBio como uma barganha política, já que faz parte dos planos governistas se unir aos partidos nanicos para tentar ganhar musculatura.

Manifestação

Servidores do ICMBio fizeram uma paralisação neste domingo(foto: Divulgação)
Servidores do ICMBio fizeram uma paralisação neste domingo (foto: Divulgação)

A entrega da carta no Palácio no Planalto ocorreu no mesmo dia em que dezenas de servidores do ICMBio fecharam o Parque Nacional de Brasília, onde fica a Água Mineral. Eles foram trabalhar normalmente mas não abriram os portões para o público. Segundo o presidente da Associação dos Servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis do Distrito Federal (Asibama-DF), Jonas Corrêa, a ideia era pedir um socorro à sociedade. "Precisamos dessa ajuda, precisamos que as pessoas atendam ao nosso chamado. Não é qualquer pessoa que consegue cuidar do ICMBio. Você precisa de experiência", disse ao Correio.

O ICMBio controla 300 Unidades de Conservação no país, o que corresponde a 10% do território nacional. Pelas contas do Asibama-DF, são cerca de 1,6 mil servidores concursados e há outras centenas de comissionados. “Não é qualquer pessoa que consegue tomar conta dessa estrutura. Precisamos de alguém especializado”, reforça Jonas Corrêa.

Defesa


Amigos de Cairo Tavares saíram em defesa dele nas redes sociais. Em texto compartilhado no WhatsApp, disseram que ele “tem uma ligação direta com os temas da sustentabilidade e participação relevante na articulação de um seminário sobre o Crescimento das Energias Renováveis, por meio da Câmara dos Deputados, que congregou entidades, associações, técnicos, especialista e parlamentares sensíveis ao tema de todo país”. 

Para tentar fortalecer o argumento, também publicaram os elogios nas redes sociais. "Cairo Tavares acumula uma relevante trajetória e experiências profissionais que incluem a participação no Plano de Governo de candidatura à Presidência da República, participação de movimentos contra retrocessos na questão ambiental como o Código Florestal, em 2012". 

Procurado pela reportagem, o presidente do Pros, Eurípedes Junior, não foi encontrado, a assessoria do parlamentar disse que ele estava viajando. Representante da fundação do partido, Felipe Espírito Santo, diz que Eurípedes não tem relação com a indicação de Cairo Tavares. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade