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Correio Braziliense

GDF congela preço da gasolina a R$ 4,29 por pelo menos um mês

GDF reduz o valor do litro da gasolina usado como referência para a cobrança do ICMS e confia que combustível ficará mais barato nas bombas. Capital recebe carretas com álcool anidro, mas normalização do abastecimento vai demorar mais um pouco


postado em 31/05/2018 06:00 / atualizado em 31/05/2018 08:20

Brasilienses encararam mais um dia de longas filas nos postos de gasolina. Há estabelecimentos que só receberão o combustível amanhã (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
Brasilienses encararam mais um dia de longas filas nos postos de gasolina. Há estabelecimentos que só receberão o combustível amanhã (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )

 

Em meio à escassez de combustível, o Governo do Distrito Federal reduziu o valor do litro da gasolina usado como referência para a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Em vez dos R$ 4,59 que estão em vigor, passará a valer os R$ 4,29 que prevaleceram na primeira quinzena de abril. Esse preço deve ficar congelado por pelo menos um mês.

Em contrapartida, após cinco reduções seguidas no preço da gasolina, a Petrobras anunciou, ontem, o aumento do custo do combustível nas refinarias. O reajuste de 0,74% vale a partir de hoje. Com isso, o preço do combustível saiu de R$ 1,9526 para R$ 1,9671.

O último reajuste tinha sido anunciado no dia 21, quando teve início a greve dos caminhoneiros. De lá para cá, a companhia realizou cinco cortes seguidos no preço da gasolina nas refinarias. Esse é o primeiro aumento desde então. Segundo a Petrobras, o valor do combustível varia segundo as cotações internacionais. E, ainda assim, os preços que chegam aos postos é da gasolina pura, que ainda passa por um processo de mistura com biocombustíveis. O reajuste vem depois por conta de impostos e custos de tratamento e transporte.

Ontem, os brasilienses encararam mais um dia de longas filas para abastecer. Dos 33 postos percorridos pelo Correio, apenas quatro — três na EPTG e um na Asa Sul — tinham gasolina no início da noite de ontem. O grande problema tem sido a falta de álcool anidro, substância misturada à gasolina tipo A para obter o tipo C, própria para abastecer os veículos. De acordo com o governo, no entanto, 10 caminhões carregados de álcool anidro foram recebidos pela distribuidora do DF, ontem, por volta das 19h30. Os combustíveis vieram de Ipameri (GO), escoltados pela Polícia Rodoviária Federal.

A situação, porém, está longe de ser normalizada. “O processo não é rápido. Alguns postos já estão cientes de que só receberão gasolina na sexta-feira (amanhã)”, explicou Carlos Alves, presidente do Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo do DF (Sinpospetro).

Protesto no Rio de Janeiro: 25 plataformas aderiram à paralisação (foto: Mauro Pimentel/AFP)
Protesto no Rio de Janeiro: 25 plataformas aderiram à paralisação (foto: Mauro Pimentel/AFP)

Segundo ele, somente o diesel é encontrado em maiores quantidades. “Mesmo se o álcool anidro chegar, ainda vai fazer a mistura, não vai direto para os postos, e a tendência é acabar rápido devido à grande procura.”

O gerente de compras de um comércio local Edinaldo Gilberto Batista dos Santos, de 49 anos, esperou ontem na fila de um posto no Sudoeste por pelo menos 1h30. Ele afirmou que está sem gasolina para ir comprar as mercadorias que abastecem o seu comércio. “Com a crise, os produtos pararam de chegar. E eu não consigo mais comprar porque estou sem gasolina”, reclamou.

Confusão

Alguns clientes indignados por terem sido impedidos de encher galões de gasolina no posto Jarjour, da 206 Norte, atearam fogo nas vias do Eixinho L Norte, a fim de bloquear o trânsito. A polícia que estava no local afirmou que o dono do posto optou por fechar o estabelecimento, mesmo com gasolina, para evitar mais conflitos.

Segundo Abdala Jarjour, proprietário da unidade, a confusão começou porque o posto se recusou a abastecer galões. “Não vendemos em galão que não seja do Inmetro”, explicou. Segundo ele, seria um desrespeito às pessoas que estavam nos carros à espera de combustível.

A atendente Vilany da Rocha, 41 anos, disse que não abriria mão de encher o galão para retirar seu carro que está parado próximo ao posto. “Vou ficar aqui até as 6h”, protestou.

 

Ainda faltam mercadorias 

Andressa Paulino*
Maiza Santos*

 

Com a greve dos caminhoneiros chegando ao 11º primeiro dia, a falta de mercadorias continua a impactar a rotina dos consumidores. O reabastecimento ainda é tímido, e os itens que podem ser encontrados estão a preços nada convidativos.
Segundo levantamento do Correio, as mercadorias estão começando a voltar para as prateleiras dos supermercados. Itens como hortifrutigranjeiros, que nos primeiros dias da semana eram raridade nos estabelecimentos, agora podem ser encontrados em alguns locais.

De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), porém, os estoques só serão regularizados em cinco a 10 dias. Enquanto isso, ainda há dificuldade para encontrar ovos e peito, coxa e sobrecoxa de frango, por exemplo.

Para vendedora Gláucia Neves, 41 anos, encontrar supermercado abastecido é sorte. “É preciso tempo para procurar bastante. Na maioria dos locais está faltando produto”, contou. E quando o estabelecimento tem os itens procurados, os preços são acima do esperado. “A batata mesmo, há algumas semanas deixei de comprar. Outros itens, como carnes e pepino, estou levando em quantidades menores”, ressaltou. “Os supermercados aumentaram consideravelmente os preços dos produtos.”

Em todo o país, a falta de alimentos nas prateleiras preocupa. Em supermercados de Minas Gerais o quadro se agravou e o desabastecimento começa a atingir produtos como massas, pães em geral, cereais e enlatados, de acordo com um levantamento da Associação Mineira de Supermercados. Em São Paulo, continuaram a faltar produtos perecíveis, como frutas, verduras, legumes, carnes, ovos e leite. “Os efeitos da greve não acabaram para os supermercados daqui”, disse o superintendente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Carlos Correa.

 

 
*Estagiários sob a supervisão de Cida Barbosa

 

Protesto no Rio de Janeiro: 25 plataformas aderiram à paralisação (foto: Mauro Pimentel/AFP)
Protesto no Rio de Janeiro: 25 plataformas aderiram à paralisação (foto: Mauro Pimentel/AFP)
 

Multa maior para petroleiros 

Gabriela Vinhal
Rodolfo Costa


A paralisação dos petroleiros entra hoje no segundo dia. A promessa é de que a greve dure, ao menos, 72 horas, com um possível fim marcado para a 0h de sábado. Até o fechamento desta edição, 25 plataformas tinham aderido ao movimento, além de Cabiúnas e bases administrativas de Macaé, no Rio de Janeiro.

A categoria reivindica a redução dos preços do gás de cozinha e dos combustíveis, a manutenção dos empregos e a retomada da produção interna de combustíveis, o fim da importação da gasolina e de outros derivados de petróleo, o fim da privatização e do desmonte do Sistema Petrobras, e a demissão do Pedro Parente da presidência da empresa.

O movimento contraria a ordem do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que considerou a greve abusiva e determinou multa de R$ 2 milhões por dia, aplicada aos sindicatos dos petroleiros que aderirem à paralisação. Na terça-feira, a multa inicial era de R$ 500 mil. A alteração ocorreu após o TST atender, parcialmente, a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que queria o aumento, mas de R$ 5 milhões.

Em outra frente, a Petrobras dialoga com a categoria para tentar chegar a um desfecho, como afirmou a advogada-geral da União, ministra Grace Mendonça. Ela avaliou, no entanto, que a paralisação não tem legitimidade. “A categoria já tem um acordo coletivo em curso, e o prazo de validade vai até 31 de agosto de 2019. É um elemento importante para caracterizar ainda mais a abusividade”, enfatizou.

Em apoio à paralisação, ao menos 12 cidades do país realizaram atos públicos ontem, organizados pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, além de centrais sindicais.

Sem previsão

A Federação Nacional dos Petroleiros — entidade que reúne cinco sindicatos da categoria — anunciou que está em greve por tempo indeterminado. O secretário-geral da FNP e coordenador geral do Sindipetro Litoral Paulista, Adaedson Costa, disse, num vídeo no site da instituição,  que a decisão do TST é política e arbitrária e que o movimento não vai ser suspenso.

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