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Correio Braziliense

Ivan Monteiro, burocrata que convive com políticos, assume a Petrobras

Respeitado pelo mercado, Monteiro foi um dos principais responsáveis pelo processo de reestruturação que resultou na recuperação da estatal


postado em 02/06/2018 07:00 / atualizado em 02/06/2018 09:04

Da esquerda para a direita, Moreira Franco, Ivan Monteiro, Eduardo Guardia e Michel Temer: novo presidente da Petrobras tem avaliação positiva do mercado(foto: Alan Santos/AFP)
Da esquerda para a direita, Moreira Franco, Ivan Monteiro, Eduardo Guardia e Michel Temer: novo presidente da Petrobras tem avaliação positiva do mercado (foto: Alan Santos/AFP)

Ivan Monteiro conhece Brasília como poucos. Coincidência ou não, nasceu no mesmo ano da inauguração capital federal, em 1960. Só que em Manaus. De lá migrou para Minas Gerais, onde se graduou em engenharia eletrônica e telecomunicações. Em 1983 ingressou no Banco do Brasil, onde fez carreira até se aposentar. Quem o conhece o descreve como um executivo capacitado e experiente, sobretudo pela convivência com políticos das mais variadas vertentes.

Monteiro só deixou o Banco do Brasil em 2015, quando o então presidente do banco, Aldemir Bendine, foi convidado pela então presidente Dilma Rousseff para comandar a Petrobras. Bendine, preso em julho de 2017 por suspeita de receber R$ 3 milhões em propina da Odebrecht, foi escolhido para o posto após a saída de Graça Foster. Assim como no BB, Ivan Monteiro foi escolhido pelo antigo chefe para ser diretor financeiro da petroleira e desenhar um plano para recuperar a estatal.

Respeitado pelo mercado, Monteiro foi um dos principais responsáveis pelo processo de reestruturação que resultou na recuperação da Petrobras. “Ele teve condições de realizar um bom trabalho e chegou à Petrobras antes de Pedro Parente. Agora colocará toda a sua credibilidade a prova em um momento de crise. A Petrobras voltará ou não a ser vítima de ingerências políticas? Veremos nas próximas semanas”, disse um ex-dirigente do BB, que conhece o novo presidente da estatal.

No Banco do Brasil, Monteiro passou por diversos cargos. Foi gerente-executivo da diretoria internacional, superintendente comercial, gerente-geral nas agências em Portugal e Nova York, até ser alçado ao posto de diretor comercial em 2009. Ele chegou ao cargo na gestão de Antonio Francisco de Lima Neto, que foi demitido após desobedecer a ordem do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para aumentar a oferta de crédito no meio de uma crise global.

Com a chegada de Bendine, o mercado temeu que ele atendesse todas as demandas do governo às custas da rentabilidade do banco. Foi, então, que o presidente do BB escolheu Monteiro para a vice-presidente de finanças, mercado de capitais e relações com investidores, posto que ocupou entre junho de 2009 a fevereiro de 2012.

O então presidente do BB garantiu autonomia a Monteiro para tomar as medidas necessárias e atender o governo, sem penalizar a instituição. Em fevereiro de 2012, assumiu a vice-presidência de Gestão Financeira e de Relações com Investidores do Banco do Brasil até fevereiro de 2015, quando ocupou a diretoria financeira da Petrobras.

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