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Correio Braziliense

"Fiquei na mesma cela do Dirceu e Luiz Estevão", diz João Rodrigues

Condenado por fraude em licitação, parlamentar cumpre pena na Complexo Penitenciário da papuda


postado em 11/06/2018 17:42 / atualizado em 11/06/2018 18:07

João Rodrigues alega que cumpria a mesma rotina dos demais detentos e diz que foi vítima de um erro na fase inicial do processo(foto: Nilson Batista/Câmara dos Deputados)
João Rodrigues alega que cumpria a mesma rotina dos demais detentos e diz que foi vítima de um erro na fase inicial do processo (foto: Nilson Batista/Câmara dos Deputados)

 
O deputado João Rodrigues (PSD-SC), que cumpre pena em regime semiaberto por conta de uma condenação no TRF-4, por fraude em licitação, afirmou que ficou na mesma cela do ex-ministro José Dirceu e do senador Luiz Estevão, no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. O parlamentar voltou a exercer o mandato nesta segunda-feira (11/6), por decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do STF. 

Mesmo preso, o deputado integrou a comissão que discute mudanças no Código de Processo Penal (CPP). O nome dele só foi retirado da comissão após determinação da juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal (VEP). Ao retomar os trabalhos, João Rodrigues falou com a imprensa e disse que conversou sobre a situação com o ex-ministro José Dirceu. “Eu não o conhecia antes de ser preso, nem mesmo o Luís Estevão. Embora eu tenha ideias totalmente opostas ao PT, quando se está preso você conversa com quem estiver ali. Conversei com Dirceu sobre a legislação e falhas que podem ser corrigidas. Sempre tem, alguns equívocos. Aliás, está tudo errado no país”, afirmou.

Por determinação do ministro Barroso, o deputado, que estava no Centro de Progressão Provisória (CDP), foi transferido de setor. O parlamentar afirmou que chegou a ter contato com o ex-deputado afastado Paulo Maluf (PP-SP). “Vi ele algumas vezes lá. Mas minha situação é completamente diferente da dele. Eu tenho provas, no papel de que sou inocente. Se eu estivesse na situação dele, com uma vírgula comprovando que cometi crime, eu já teria renunciado ao mandato”, completou Rodrigues.

Como o Correio revelou na manhã desta segunda-feira (11/6), em uma manifestação enviada ao ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), a juíza Leila Cury, da VEP, contestou as alegações da defesa do deputado João Rodrigues (PSD-SC) que levaram o magistrado a conceder uma liminar autorizando a volta do parlamentar à Câmara, mesmo com ele cumprindo pena por crime contra a administração pública. O ofício foi enviado pela magistrada na sexta-feira (8/6), um dia após a decisão de Barroso. 

De acordo com Leila Cury, diferentemente do que foi informado pela defesa, o parlamentar não cumpria pena em regime fechado, e podia circular livremente pela Ala B do Bloco 5 do Centro de Detenção Provisória (CDP), na Fazenda Papuda. Em recurso apresentado ao Supremo, os advogados do parlamentar afirmam que ele está alocado "em estabelecimento inadequado ao cumprimento da pena em regime semiaberto".

João Rodrigues alega que cumpria a mesma rotina dos demais detentos e diz que foi vítima de um erro na fase inicial do processo. “A minha rotina no CDP era a mesma do José Dirceu, do Luiz Estevão e dos demais. Quanto ao processo, houve um erro grave no início. O procurador que fez a denúncia afirma que a ação se baseia no relatório da Polícia Federal. Mas eu não fui citado no relatório, como pude ser indiciado?”, alegou.

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