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Correio Braziliense

Operador preso pela PF diz que pode implicar ex-ministro

O depoimento é de 31 de maio e foi o segundo prestado pelo ex-servidor, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda


postado em 16/06/2018 09:03 / atualizado em 16/06/2018 15:30

(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
 
Preso preventivamente na Operação Registro Espúrio e apontado como um dos principais operadores do PTB e da União Geral dos Trabalhadores (UGT) no Ministério do Trabalho, o ex-servidor da pasta Renato Araújo Júnior disse, em depoimento à Polícia Federal, que era um mero "cumpridor de ordens" no esquema de fraudes na concessão de registros sindicais. 

Araújo Júnior apontou que pode apresentar informações sobre o que chamou de "envolvimento" do ex-ministro Ronaldo Nogueira (PTB-RS), que deixou o cargo em dezembro para reassumir mandato de deputado. Ele não foi alvo da operação.

A menção a Nogueira ocorreu no contexto em que Renato falava que recebeu diversos pedidos da UGT para registros de entidades vinculadas à central sindical, "muitas vezes sem os requisitos necessários" e que esses "pedidos eram, na verdade, ordens veladas", vindas do presidente da UGT, Ricardo Patah, e de outros nomes relacionados à central sindical. 

Araújo Júnior afirmou que Patah é ligado ao ex-ministro e que fazia pedidos a Nogueira. O ex-servidor declarou à PF que "futuramente, depois de tomar conhecimento acerca do teor dos autos, pretende prestar informações sobre o envolvimento de Ronaldo Nogueira nos fatos; que esclarece que os ‘pedidos’ (da UGT) eram direcionados não somente ao declarante, mas também a Renata Frias Pimentel, Leonardo Cabral, Carlos Lacerda e ao próprio ministro Ronaldo Nogueira; que futuramente pode declinar a participação de alguns deles nas fraudes sindicais". 

O depoimento é de 31 de maio e foi o segundo prestado pelo ex-servidor, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda. Ele encerrou a fala afirmando que "deseja que fique consignado o seu interesse em colaborar amplamente no curso da investigação, prestando novos depoimentos se necessário". 


Defesa

Ao Estado, o ex-ministro Ronaldo Nogueira "refutou com indignação" a menção ao nome dele e afirmou que exonerou Renato Araújo Júnior no ano passado, quando soube que o Ministério Público Federal na primeira instância havia aberto uma investigação sobre fraudes em registros sindicais. Nogueira negou a afirmação do ex-servidor de que recebia pedidos de Patah e disse que a relação que tinha com dirigentes de centrais sindicais era institucional. 

"Graças a Deus, o único patrimônio que tenho é minha honra e meu nome. Não há qualquer possibilidade de se afirmar que o ministro fez qualquer pedido a ele. Defendo o aprofundamento das investigações."


Operação

Deflagrada em 30 de maio, a Registro Espúrio investiga suspeitas sobre uma organização formada por políticos, lobistas, dirigentes de sindicatos e funcionários públicos que teria praticado fraudes e corrupção para liberação e veto de registros sindicais dentro da Secretaria de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho. Na segunda fase da operação, realizada no dia 12, a PF vasculhou o gabinete da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) e dois endereços residenciais dela, diante de novos indícios de que ela teria feito parte do esquema. Ela nega envolvimento.

Araújo Júnior afirmou à PF que centrais sindicais "exercem fortíssima influência dentro do Ministério do Trabalho" e "frequentemente são feitos pedidos para direcionar o resultado ou burlar a ordem cronológica de análise dos processos de registro sindical, nos quais tais entidades possuem interesse direto". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo
 

Defesa

 
"NOTA DE ESCLARECIMENTO, DEPUTADO FEDERAL RONALDO NOGUEIRA

Em relação à reportagem intitulada “Preso aponta envolvimento de ex-ministro do Trabalho em fraudes sindicais”, o presidente da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, deputado federal Ronaldo Nogueira, assim se manifesta:

1 - Em primeiro lugar ressalto minha absoluta indignação com a citação do meu nome em insinuações envolvendo malfeitos, repelindo veementemente quaisquer maledicências contra a minha honra e conduta. 

2 - De fato, da análise das declarações atribuídas ao Sr. Renato Araujo, o que se percebe é isso: tudo o por ele supostamente dito são apenas insinuações (pois não me imputa diretamente nenhum fato criminoso).

3 - Além disso, são insinuações sem nenhuma indicação de quaisquer tipos de provas, o que remete tudo isso a um nível absurdo de irresponsabilidade para com a honra alheia.

4 - Por oportuno, refira-se que o Sr. Renato Araújo foi por mim sumariamente exonerado quando vieram à tona as primeiras denúncias de atos de corrupção por ele praticados, sendo que o mesmo só voltou a ocupar função de chefia após eu ter deixado de exercer a função de Ministro de Estado do Trabalho. 

5 - Logo, ou o acusado está a agir por vingança, ou tenta desviar o foco da investigações. Também não descarto a possibilidade de interesses políticos escusos estarem por detrás das insinuações maliciosas e mentirosas do Sr. Renato. 

6 - Afinal, como é de conhecimento de todos os que acompanham as investigações pela imprensa, em entrevista realizada em uma emissora de rádio de Anápolis,  o denunciante do esquema que originou a Operação Registro Espúrio, de nome MacGyver, não apenas me isentou de qualquer participação em atos de corrupção, como referiu que eu o encaminhei ao Ministério Público Federal no mesmo momento em que relatou a mim o suposto esquema.


7 - Dito isso, desde já assinalo que não medirei esforços para defender minha honra. Sim! Defendo minha honra pois a tenho. Pois se ao longo de 30 anos de vida pública não constitui patrimônio material, consegui construir uma sólida reputação moral, conhecida por todos que fazem política.

8 - Assim sendo, estarei ajuizando uma interpelação judicial em desfavor do Sr. Renato Araújo, para que se quiser confirme as declarações supostamente por ele realizadas em relação à minha pessoa, sob as penas da lei. Pois se as confirmar terá que prova-las, sob pena de se não conseguir fazê-lo incorrer em crime, acrescido da respectiva condenação por dano moral a minha imagem. 

9 - Com a serenidade daqueles que tem a consciência tranquila, reitero que apoio o trabalho realizado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, e que defendo o aprofundamento das investigações para que verdade se estabeleça, com a punição de eventuais culpados na forma da lei. "

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