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Correio Braziliense

Pré-candidatos ao Planalto não conseguem avançar em negociações federais

Integrantes dos partidos mais cobiçados, PSB e PP, apresentam movimentos erráticos até aqui; formação das chapas para o pleito deve estar definida entre 20 de julho, quando começam as convenções partidárias


postado em 17/06/2018 07:00

(foto: Gomez/CB/D.A Press)
(foto: Gomez/CB/D.A Press)

Durante os próximos 30 dias, torcedores brasileiros estarão concentrados na Copa do Mundo da Rússia. O jogo nos bastidores da política, entretanto, deve chegar a 16 de julho, quando termina o torneio, com estratégias mais claras a partir da definição das alianças estaduais. A formação das chapas dos candidatos a governadores influenciam diretamente na disputa ao Palácio do Planalto. Hoje, em uma referência futebolística, os jogadores de defesa e de meio de campo dos partidos políticos parecem perdidos, com jogo travado.

Há duas situações que levam à espera na formação dessas alianças. De um lado, a insistência do PT em lançar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como pré-candidato, preso desde 17 de abril, paralisa as negociações no campo da esquerda. Outra razão para o impasse das coligações é a pulverização de candidaturas do centro político, que não chega a um entendimento para definir um alvo para o apoio.

Entre os partidos mais cobiçados para formar alianças estaduais estão o PP e o PSB — que embora não tenham lançado um nome à frente da disputa, apresentam representantes às eleições locais e bancadas concisas no Congresso Nacional. Além dos palanques, está em jogo também o tempo de campanha de televisão, que nestas eleições está reduzido (estabelece-se o tempo de cada candidato baseado no número de deputados federais eleitos em 2014).

Apesar do cenário ainda turvo, lideranças tentam se apressar. A formação das chapas para o pleito deve estar definida entre 20 de julho, quando começam as convenções partidárias, até 5 de agosto. Se as legendas não aprovarem um líder no primeiro turno, diretórios estaduais podem ficar livres para firmarem acordos próprios, o que poderia enfraquecer os partidos como unidades. Assim, caciques elaboram estratégias para oficializar essas coligações. A dificuldade está em unificar o desejo de todos os estados em prol de um único presidenciável.


Influência


Apesar do PSB apoiar o PT nas eleições desde a década de 1990, esse ano deve ser diferente: nos bastidores da legenda há divergência para qual caminho seguir. Acreditam que sair na corrida com o Lula pode manchar a imagem dos pessebistas. Por outro lado, se buscarem a neutralidade, pode enfraquecer a influência política do partido. Já se apoiar o Ciro Gomes (PDT), poderia negociar cargos nos estados, interesse comum entre as lideranças.

Com o objetivo de vencer em ao menos 10 estados, a sigla quer ainda começar 2019 com ao menos 35 parlamentares no Congresso. Entre as unidades federativas mais desejadas estão Pernambuco, com Paulo Câmara; Distrito Federal, com Rodrigo Rollemberg; Minas Gerais, com Márcio Lacerda e São Paulo, com Márcio França. Se o PDT garantir essas alianças estratégicas, o PSB fará campanha para Ciro.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, que se reuniu recentemente com o presidente do PSB, Carlos Siqueira, disse ao Correio que as alianças ainda estão em estágio “embrionário”, no entanto, afirmou que as afinidades ideológicas com o PSB são “notórias”. Apesar disso, ainda segue dialogando com outros partidos, porque “apoio não se discute, se aceita”.

O PP, por sua vez, mantém a estratégia de tentar eleger um grande número de deputados federais. Para isso, se juntou em um bloco com outros partidos de centro, como o DEM e o PRB. O grupo, contudo, ainda está dividido entre apoiar o tucano Geraldo Alckmin (PSDB), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) ou o ex-ministro Ciro Gomes.


Centro-direita


As negociações, segundo um assessor do PP, chegaram a avançar com o PDT, no entanto, recuaram, após Ciro declarar que só faria alianças com o partido se conseguisse negociar antes com o PCdoB e com o PSB. “O PP é ligado ao DEM. Por isso, a preferência é o Maia. Se ele não seguir, o apoio ao Alckmin não é descartado”, acrescentou. O PRB, por sua vez, está cada vez mais tendencioso a formar alianças com Álvaro Dias (Podemos).

Já o deputado Jair Bolsonaro (PSL), que lidera as pesquisas de intenção de voto sem Lula na disputa, ensaia, desde o início do ano, uma aproximação com o PR. O pré-candidato chegou a dizer que queria Magno Malta (PR-ES) como seu vice. Entretanto, a sigla do senador não confirmou. No fim de maio, Malta, por sua vez, declarou que, mesmo se o PR não seguir com Bolsonaro, ele deixaria o partido para continuar o apoio integral ao presidenciável.

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