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Correio Braziliense

Partidos têm conversas para fechar coligações, mas só decidirão em agosto

Partidos de várias correntes mantêm conversas para tentar fechar coligações e reduzir o número de candidatos à Presidência da República, mas sem esperança de definição até agosto. Pesquisas qualitativas tentam aumentar atratividade dos postulantes


postado em 23/06/2018 07:00

Josué Alencar: histórico de empresário e associação ao pai são aposta do PR para a candidatura(foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A Press. Brasil. - 14/3/14)
Josué Alencar: histórico de empresário e associação ao pai são aposta do PR para a candidatura (foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A Press. Brasil. - 14/3/14)

As candidaturas para a eleição deste ano seguem mais engessadas do que a Seleção Brasileira no primeiro tempo na vitória de ontem contra a Costa Rica. Caciques de legendas de centro e esquerda buscam entendimento para a construção de alianças, sem sucesso até agora. O afunilamento das dezenas de pré-candidaturas em poucas e consolidadas coligações é tratado como certo entre líderes de DEM, PP, PSDB e PDT. Esse cenário, entretanto, ficará para depois do principal torneio de futebol do mundo, na metade de julho.

Até lá, as negociações continuarão. De um lado, tucanos e pedetistas tentarão atrair legendas com o discurso de que detêm os candidatos mais preparados. O PSDB mantém conversas com o MDB. O ex-governador de Goiás Marconi Perillo, coordenador da campanha de Geraldo Alckmin, trava conversas com os emedebistas Romero Jucá (RR), presidente nacional do partido, e o presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (CE). O PDT, de Ciro Gomes, aposta em diálogos com PP e DEM, mas prega cautela. “Conversamos com todos. É importante fazer parcerias e composições. Mas, antes de agosto, é difícil haver alguma definição”, destacou o líder da legenda no Senado, Acir Gurgacz.

Na outra ponta da mesa de negociações, siglas almejadas para a composição se esforçarão para elevar o cacife político, sustentando por meio de pesquisas qualitativas que seus respectivos presidenciáveis são mais capazes do que os outros em abocanhar os votos dos eleitores. É o exemplo do PRB e do PR, que pode indicar um pré-candidato e elevar o número de postulantes à Presidência da República.

O PR está em conversas com partidos de esquerda, centro e direita, mas tenta emplacar um filiado pouco conhecido: o empresário Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar. O nome dele sequer aparece nas pesquisas de intenção de voto, o que torna pequena a chance de vitória nas urnas. Mas a pesquisa qualitativa anima o partido. A associação dele ao pai, vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é um fator positivo que o levantamento aponta.

A trajetória fora da política é outro motivo que pesa a favor dele, de acordo com a pesquisa encomendada pelo PR. O alto número de intenção de votos brancos e nulos indica que os eleitores estão propícios a apostar em outsiders. O líder do partido na Câmara dos Deputados, José Rocha (BA), revela que, além do histórico de sucesso como empresário e a associação dele à família Alencar, Josué foi indicado há um ano ao partido pelo próprio Lula. “Estamos presos a uma definição de Josué, que decidirá, até segunda-feira, se concorrerá ou não. O centro é um ponto de encontro, mas o nome dele nos permite transitar em todos os lados”, ressaltou o parlamentar.

O cenário não é diferente no PRB, de Flávio Rocha. O partido também encomendou uma pesquisa qualitativa que aponta o que todos sabem: é um desconhecido entre os eleitores. Mas quando associam o nome dele ao dono da rede varejista Riachuelo, o apelo de votantes na campanha dele dispara. No partido, há quem acredite que ele é um dos presidenciáveis com o maior poder de conversão de votos nulos e brancos. Por esse motivo, caciques do partido estão escutando propostas de alianças, mas evitam falar de embarque em alguma.

A ideia de unir o centro é um desejo do próprio presidente do PRB, Marcos Pereira, que reconhece a necessidade de uma candidatura que ofereça alternativa na corrida eleitoral. Mas, ele mesmo tem mantido conversas com o PDT, de Ciro Gomes. Enquanto as negociações se desenrolam e não há um consenso, o partido manterá a candidatura de Flávio Rocha, assegura o líder da agremiação na Câmara, Celso Russomanno (SP). “Vamos usar o nome dele como ‘Flávio da Riachuelo’, que todos sabem quem é. Outros partidos reconhecem a carreira bem-sucedida dele no setor varejista e propõem que ele seja vice, mas não tem nada decidido”, garantiu.

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