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Justiça aceita denúncia contra Joesley Batista e Marcelo Miller

Ex-procurador da República, Marcelo Miller é acusado de receber propina para ajudar nas negociações de um acordo de delação de executivos da J

Renato Souza
postado em 28/06/2018 15:32
Joesley BatistaO empresário Joesley Batista e o ex-procurador Marcelo Miller se tornaram réus por corrupção após a Justiça Federal de Brasília aceitar uma denúncia apresentada contra eles pelo Ministério Público Federal.

O ex-procurador é acusado de receber R$ 700 mil em propina para ajudar executivos do grupo J a obterem informações que ajudassem no fechamento de um acordo de colaboração premiada. Também se tornaram réus a advogada Esther Flesch e o ex-diretor jurídico da JBS Francisco de Assis e Silva.

Antes de sair da Procuradoria-Geral da República, Miller atuou na Operação Lava-Jato. Ele era considerado uma pessoa de confiança do ex-procurador-geral, Rodrigo Janot. A relação de Miller com os executivos da empresa foi revelado por Janot, em setembro do ano passado, poucos dias antes de deixar o cargo.

Ele se baseou em gravações que foram entregues por engano por Joesley Batista para o Ministério Público Federal (MPF) como parte de um acordo de delação premiada. Após sair da procuradoria, Miller passou a atuar em no escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe (TRW), que atuou no caso dos executivos da J.

Na denúncia, o MPF afirma que Joesley e Francisco de Assis fizeram contato com o ex-procurador e solicitaram que ele usasse sua influência para adiantar o andamento do acordo de colaboração com o Poder Judiciário. "Joesley Batista e Francisco de Assis ofereceram promessa de vantagem indevida a Marcelo Miller Ester Flesch, para que o primeiro, ainda que potencialmente, praticasse atos de ofícios em seu favor".

Em nota, a defesa de Francisco de Assis afirmou que ele "colaborou com a investigação, deixando claro que jamais procurou obter qualquer vantagem indevida no MPF por meio de Marcello Miller ou qualquer outra pessoa". Os advogados de Joesley Batista afirmaram que "o empresário nunca ofereceu qualquer vantagem indevida a Marcello Miller e reitera que eventual irregularidade na contratação de um sócio pelo maior escritório de compliance do mundo deve recair única e exclusivamente sobre essa banca de advogados".

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